Sexo a três: existem regras? (5 – Orgia, 4- Swing, 3 – Ménage, 500 – Suruba)

by Yahoo Noticias.

Temos um famoso dito popular que diz que “um é pouco, dois é bom e três é demais”. Já Andy Warhol, o grande artista pop do nosso tempo, dizia que “um é companhia, dois é uma multidão e três é uma festa”. Vivemos em uma época em que o sexo não possui mais tantas regras rígidas, as possibilidades são cada vez maiores e todos se sentem mais livres para explorá-las. Quem nunca experimentou sexo a três, pelo menos teve e ainda tem bastante curiosidade de fazê-lo.

‘Ménage à trois’ é um termo de origem francesa, que em tradução livre pode ser algo como “mistura a três” e é frequentemente usado para descrever relações sexuais entre três pessoas. Não importando o gênero, a relação pode se dar entre heterosexuais, gays ou lésbicas. “Quanto mais mistura, melhor”, afirma a jovem estudante de Design Gráfico, Juliana Maria Macedo, de 22 anos.

Juliana, assim como dezenas de jovens, experimentou diversas formas do sexo a três. “Já fui o terceiro elemento em uma relação fixa de héteros e de gays, com uma amiga e um menino que ficamos na balada e já fiz também com o meu namorado e uma amiga dele. Não tenho pudores quando o assunto é sexo”.

Casos como o de Juliana são cada vez mais frequentes, os jovens procuram sempre novas formas de satisfazer suas fantasias e curiosidades em relação a tabus tão fortes como o sexo. Sendo feito de forma consciente e saudável, o sexo entre três pessoas é uma atividade sexual como qualquer outra, exigindo o mesmo cuidado com a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e concepções indesejadas.

Michele Bueno, 20 anos, estudante de turismo, conta que participou de uma experiência bastante peculiar com dois colegas da faculdade. “Desde que entramos na faculdade parte da turma criou um laço muito forte de amizade, estamos juntos o tempo todo e sempre acampamos quando temos uma folguinha. Numa dessas viagens, eu e mais dois amigos conversávamos dentro de uma das barracas, e eles me perguntaram se eu já tinha feito sexo com mais de uma pessoa. Respondi que sim, com uma amiga e um amigo, mas nunca com dois caras”.

A situação é incomum, homens têm mais preconceito na hora do ménage à trois, “achei estranho, mas percebi que era o que eles queriam fazer. Uma coisa levou à outra e acabamos transando. Foi uma experiência incrível, nunca vou me esquecer”, diverte-se Michele.

Traição ou não, eis a questão

Rodrigo Alcantara, um produtor musical de 28 anos não considera o sexo a três uma forma de traição. Ele e sua esposa mataram a curiosidade há uns anos, com uma pessoa que ofereceu a possibilidade de passar uma noite com o casal. “Nós fomos escolhidos pela terceira pessoa, na verdade. Acho que isso foi bacana porque não partiu exclusivamente de algum dos dois, foi algo que conversamos e achamos que seria interessante. Tudo aconteceu naturalmente”.

Rodrigo e sua esposa não repetiram a experiência, “aconteceu apenas uma vez e foi bem interessante. Acho que contribuiu para o nosso relacionamento. Nós conversamos bastante antes e sabíamos o que esperar, o que deixou tudo mais tranquilo para o momento. Foi algo bom, porque nos ajudou a sair um pouco da rotina e matou nossa curiosidade sobre o assunto”.

Segundo Diego Henrique Viviani, psicólogo e especialista em sexualidade do Ipasex (Instituto Brasileiro de Sexualidade), “em alguns casos essa atividade se enquadra como algo completamente proibido, fora de cogitação, uma vez que isso pode estabelecer um quadro de desconfiança, de traição, do medo da perda da parceria”.

Incluir uma terceira pessoa na vida sexual não necessariamente constitui um problema em uma relação. Muitos casais como Rodrigo e sua esposa “praticam essa atividade e acham extremamente prazerosa e muitas vezes até a enxergam como algo positivo para a manutenção do relacionamento. Se ambos estão de acordo, tudo bem”, afirma Viviani.

Até que ponto é uma atividade saudável?

Luiz Marques, um programador de 32 anos conheceu pela internet um casal que propunha sexo a três. De forma discreta, Luiz marcou um encontro com o casal em um restaurante e foi conhecê-los. “Eles pareciam bem esclarecidos sobre o assunto, conversamos bastante e fizemos até piadas”, conta. Foram a um motel e tudo correu naturalmente, sem maiores percalços. “Comecei a perceber um estranhamento quando só uma das partes passou a me procurar com freqüência pela internet e me mandando mensagens de texto no celular. Coloquei-o na parede e ele abriu o jogo, dizendo que queria me ver sozinho, sem o seu parceiro”. Luiz optou por não encontrá-lo, uma vez que a forma proposta ultrapassava os limites da brincadeira a três.

No caso de Luiz, a premissa inicial foi violada – um dos parceiros não sabia inteiramente o que se passava, podendo dessa forma ter sua confiança no relacionamento abalada por uma traição.

Respeitar os limites do outro é sempre premissa de uma relação saudável. Diego Viviani, do Ipasex, completa “atualmente vivemos em uma sociedade mais permissiva do que antes, mas ainda assim existem regras estabelecidas como normais ou não, mas pelo fato da vivência sexual acontecer de maneira intimista isso fica a cargo de quem for realizá-la, desde que não interfira no bem estar de outras pessoas”.

Outras práticas

Além de ‘ménage à trois’, uma prática sexual muito comum nos dias de hoje é o ‘swing’, também conhecido como troca de casais. Existem, inclusive, bares e casas noturnas especializadas em receber casais que praticam ou têm interesse pelo ‘swing’. Algumas casas de ‘swing’ permitem a entrada de solteiros, justamente para a prática do ‘ménage à trois’. Porém em sua grande maioria, só aceitam casais que dividam a filosofia da liberação sexual.

A estudante de Comunicação Social, Larissa Castro, de 21 anos, cedeu à pressão do namorado e foi conhecer uma casa do ramo, “ele insistia muito, sempre teve muita curiosidade, acabei indo com ele”. Larissa não se sentiu muito confortável com a situação, mas chegou a participar de algumas brincadeiras com outros casais, pois seu namorado a incentivou. Ela diz que “ele parecia empolgado e não quis cortar o clima, só que achei melhor não ir até o fim”. Larissa ficou só no beijo na boca, mesmo.

É sempre importante que casais ou indivíduos busquem uma vivência sexual saudável, que se previnam da maneira correta, e que tenham esclarecimento das conseqüências de seus atos, tanto em sua vida, quanto na vida de demais envolvidos.

Realizar fantasias sexuais de maneira prudente é uma forma muito saudável da nossa expressão individual. “Muitas pessoas têm fantasias sexuais e acabam por não satisfazê-las pelo medo da discriminação, ou por um próprio preconceito que a inibe de experimentar coisas novas. Qualquer experiência que possa ser vivida sem sofrimento físico e psicológico de todas as pessoas envolvidas pode ser encarado como algo saudável, essa é a premissa para uma atividade prazerosa livre de culpas”, completa Diego Viviani, especialista do Ipasex.

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Filmes para olhar com minha namorada.. hehe.. x)~

Mirrors - Espelhos do Medo
The Uninvited / A Tale of Two Sisters / Apparition - O Mistério das Duas Irmãs
Thick as Thieves  - Jogo Entre Ladrões
Espelhos do Medo – Mirrors – (Olhamos – Nota 5)
O Mistério das Duas Irmãs – The Uninvited / A Tale of Two Sisters / Apparition
Jogo Entre Ladrões – Thick as Thieve
Breach - Quebra de Confiança

Next - O Vidente

Fracture - Um Crime de Mestre

Quebra de Confiança  – Breach
O Vidente  – Next
Um Crime de Mestre  – Fracture

The Basketball Diaries - Diário de um Adolescente

Lord Of War - O Senhor das Armas

Practical Magic - Da Magia à Sedução

Diário de um Adolescente – The Basketball Diaries
O Senhor das Armas – Lord Of War
Da Magia à Sedução – Practical Magic

The Forgotten - Os Esquecidos

Trapped - Encurralada

Nochnoy Dozor/ Night Watch - Guardiões da Noite

Os Esquecidos – The Forgotten
Encurralada – Trapped
Guardiões da Noite – Nochnoy Dozor/ Night Watch
Taken - Busca Implacável

The Illusionist - O Ilusionista

Hide and Seek - O Amigo Oculto

Busca Implacável  – Taken
O Ilusionista – The Illusionist
O Amigo Oculto – Hide and Seek

Span – Conversa de msn entre Deco e Lilis sobre a gripe suina (h1n1) é fake

Muito importa informar sobre, afinal de contas, é o assunto em debate.

segundo o g1:

“… Na conversa, “deco” conta a “Lilis” sobre supostas mortes entre os médicos da capital paranaense após “reuniões com uns medicos da Unimed” [sic].

Na mensagem, ele afirma: “morreram 12 medicos em Curitiba já, 3 deles cooperados da Unimed”; “as operadoras de saude, tao recebendo oficios do governo pra nao divulgar dados” [sic].

A Unimed Curitiba divulgou nota desmentindo a afirmação. “Trata-se de um documento apócrifo que traz fatos que não correspondem à verdade e que lamentavelmente acaba por alarmar a população de modo absolutamente irresponsável”, afirma a entidade.

Segundo “deco”, um jantar entre médicos teria sido desmarcado por um “Dr. Marclo Tizzot, que foi o cara que diagnosticou o primeiro caso da gripe em Ctba” [sic]. Nos registros do Conselho Regional de Medicina do Paraná não existe nenhum “Marclo Tizzot”. Também não existem Marco Tizzot, Marcos Tizzot ou Márcio Tizzot. Há um Marcelo Tizzot, endocrinologista de Curitiba.

A citação a Tizzot no e-mail fez tantas pessoas o procurarem que ele parou de divulgar e atender seu próprio telefone. Na sede da empresa de planos de saúde Uniclínicas, a qual Tizzot é filiado, a telefonista afirma que está proibida de passar o número do médico. “Ele passou a orientação apenas de dizer para todo mundo que liga que é mentira essa história do e-mail. Ele não tem nada a ver com a gripe”, diz ela.

Marclo Tizzot não existe. O endocrinologista curitibano Marcelo Tizzot diz nada ter a ver com a gripe e que as afirmações do e-mail são mentirosas. (Foto: Reprodução)
Na mensagem, “deco” faz outras afirmações enganosas. Por exemplo: “eles não sabem o que fazer a partir do quinto dia da doença se não curar até lá”, “tão colocando as pessoas em coma induzido para amenizar o sofrimento” e “a solução é só se diagnistitcar ela ante do vírus chegar no pulmao” [sic].

O infectologista Edimilson Migowski, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica que a maioria dos casos da doença, mesmo os que evoluem para pneumonia, tem sintomas leves.

“A maior parte evolui muito bem, sem maiores problemas. Se a pessoa receber uma assistência adequada, a chance de recuperação é grande”, afirma.

A avaliação é a mesma do também infectologista Antônio Pignatari, do Hospital 9 de Julho, de São Paulo. “Não há motivo para pânico. A grande maioria é bem levinho, tranquilo. É só procurar o médico caso os sintomas sejam mais fortes”, afirma.

Migowski também esclarece: “não há ninguém em coma induzido. Isso é aquele exagero que surge nessas situações em que a população está assustada.” “

Acesse a reportagem completa aqui!!

A conversa completa, você pode acompanhar abaixo:

“…

O NEGÓCIO TA FICANDO CADA VEZ MAIS SÉRIO, REPASSAM PARA QUEM FOR POSSÍVEL !!!

Oi pessoas!
Acabei de conversar com um amigo no msn sobre a gripe suína, vou colar a
nossa conversa para terem ideia do que está
acontecendo…

deco ® diz:
to em panico com esse negcio da gripe. hoje tivemos reunioes com uns
medicos da Unimed, os caras falaram que a situação
é desesperadora

Lilis diz:
ahããã, amigas minhas falaram…

deco ® diz:
que os hospitais e as operadoras de saude, tao recebendo oficios do governo
pra nao divulgar dados

deco ® diz:
morreram 12 medicos em curitiba já, 3 deles cooperados da Unimed

deco ® diz:
o HC teve 115 mortes já, mas só pode divulgar que teve 28

Lilis diz:
ai q horroooooor

deco ® diz:
eles não sabem o que fazer a partir do quinto dia da doença se nao curar
até lá

deco ® diz:
tão colocando as pessoas em coma induzido pra amenizar o sofrimento

Lilis diz:
uiiiiii, chega, não quero mais saber…medo até de sair de casa

deco ® diz:
eles falaram que as autoridades não tão divulgando pra nao deixar a
população em panico

deco ® diz:
mas que na verdade eles tão completamente perdidos

deco ® diz:
o jantar que a gente tinah amanha era la no Le Rechaud, no fondue

deco ® diz:
um dos casais que tavam indo , o cara é medico. é o Dr. Marclo Tizzot que
foi o cara que diagnosticou o primeiro caso da gripe em Ctba.

deco ® diz:
ele que falou pra gente desmarcar

deco ® diz:
porque nao vale a pena o risco

Lilis diz:
aff maria

deco ® diz:
aham

deco ® diz:
ele falou pra gente pedir uma pizza e ir pra casa dele

deco ® diz:
ele falou pra nao fazer nada que seja arriscado

deco ® diz:
nao ir no shopping, nao ir em bar, boate, não ir nas nights, em
restaurantes então pior ainda, pior ainda nos que são
por Kilo

deco ® diz:
porque todo mundo usa os mesmos pegadores

Lilis diz:
putz, acho q nem vou ao mercado hj então

deco ® diz:
esta PUNK ao maximo a situação

deco ® diz:
os caras tão desesperados

deco ® diz:
tem uma amiga minha que é medica no HC, disse que la ta o caos, ela ta com
6 amigos internados com a gripe, todos
medicos

Lilis diz:
eles falaram se tem solução???

Lilis diz:
ou é só esperar?

deco ® diz:
nao tem solução. a solução é só se diagnistitcar ela ante do virus chegar
no pulmao, senao é muito dificil

Lilis diz:
mas e vai ser assim até o resto do ano???

deco ® diz:
é por isso que eles tão em panico ninguem sabe

deco ® diz:
a Unimed disse que tem um documento na mao que parece que segunda feira em
Curitiba, vai ser decretado estado de
calamidade publica e vão mandar parar a cidade

deco ® diz:
ninguem pode sair de casa

deco ® diz:
vamos esperar

deco ® diz:
essa minha amiga, disse que o virus tá em Nivel 1 ainda, e que ele deve ir
ate o nivel 4

Lilis diz:
mas tá…e a solução q eles falaram é ficar em casa pra não propagar o
vírus, e assim o vírus some?

deco ® diz:
sim

deco ® diz:
porque dai para de disseminar

deco ® diz:
e eles matam todos os focos

deco ® diz:
foi o que o Mexico fez

deco ® diz:
parou o país e eles acabaram com tudo

deco ® diz:
ou, nos tamos tudo exigindo mascaras nas pessoas que tão vindo fazer
atendimento aqui no escirtorio

Lilis diz:
ai meu deus

Lilis diz:
valeu pelo toque Deco!!! é horrível saber da verdade, mas é bom pra se
previnir

deco ® diz:

pois é.

deco ® diz:
até ontem, eu tava ca.gando e andando pra tudo isso

deco ® diz:
mas quando os medicos me falaram fiquei que nem vc assim, em choque

Lilis diz:
posso copiar essa nossa conveersa e mandar pra algumas pessoas?

deco ® diz:
pode ? deve

deco ® diz:
deve deve deve

Dra Lívia Aguiar
Fisioterapeuta especialista em Acupuntura
(41) 9129-5572  (41) 3242-0207

…”

A internet ajuda, mas também atrapalha bastante, por isso existe a necessidade de procurar sempre a referência do que se lê e principalmente, do que se passa a diante.

O planeta está bem, as pessoas é que estão fodidas

Uma opinião bem contra as tendências do século, mas beleza, é a opinião de George Carlin na apresentação: “Save the planet“.

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Youtube´s interessantes – Gostosas pra caralho

1 – Letícia

2 – Júlia

3 – Teen

4 – Peitinhos

5 – Teen 2

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Negruinho – A casa dos budas ditosos – Lúxuria – João Ubaldo Ribeiro

Trecho retirado do livro a A CASA DOS BUDAS DITOSOS – LÚXURIA – João Ubaldo Ribeiro

A CASA DOS BUDAS DITOSOS
LÚXURIA
João Ubaldo Ribeiro

Página: 14

“….
A vinda dele, o nosso encontro, isso era o que eu ia contar, para finalmente
começar o depoimento. Sem frescura, basta de frescura. A vinda dele eu posso dizer
sem nenhum constrangimento, foi meio violenta, ou bastante violenta, se você quiser.
Ele brincava comigo e meu irmão Otávio, a gente gostava dele, minha avó de vez em
quando deixava que ele almoçasse com a gente, mas ele era somente um dos negrinhos
da fazenda, naquele bando de escravos que meu avô tinha. Não eram escravos
oficialmente, mas de fato eram escravos, e a maior parte vivia satisfeita, fazendo filhos
e enrolando meu avô. Figura interessante, meu avô peidão, pena que eu não tenha tido
a oportunidade, física e psicológica, de conviver mais com ele, não havia como,
embora ele gostasse de mim e eu dele. Acho que ele sabia que era enrolado o tempo
todo.

Acho que não, ele sabia, mas claro que não ligava, ele era uma postura
pragmático-egocêntrica ambulante, não pode mais existir gente como ele,
naturalmente.

Aí eu, sem quê nem para quê, muito de repente, cheguei para esse negrinho,
no pátio da quebra de coco de dendê, e disse:
“Hoje de tarde esteja na casa-grande velha, na hora em que minha avó estiver
dormindo. Sozinho e não diga a ninguém.” Ele estranhou e disse que não podia
porque ia ter de catar ouricuri com a mãe e ficou revirando os olhos para cima e
levantando os pés como se marchando sem sair do lugar e esfregando as orelhas com
uma careta, como se quisesse removê-las da cabeça. “Mentira”, disse eu, “mentira sua,
hoje é domingo.

Você vai, ou eu conto a meu avô que você tomou ousadia comigo e ele manda
lhe capar, como mandou capar finado Roque, seu tio, você sabe que meu avô mandou
capar ele, porque ele se ousou com uma rapariga dele.” E ainda dei um tapa forte,
estalado mesmo, na cara dele. Ele estremeceu e, se preto pode ficar lívido, ficou lívido.
Aliás, preto fica lívido, engraçado, você nota os lábios pálidos. Mas não disse nada, e
eu ainda fiz menção de dar outro tapa e só não dei porque não tinha planejado nada
daquilo e estava meio sem entender a situação e também me deu uma espécie de gana
de continuar batendo e ao mesmo tempo uma sensação desagradável, como se tivesse
medo de alguma coisa, não sei bem descrever esse momento. Em todo caso, depois de
marchar parado e esfregar as orelhas novamente, ele respondeu que ia, e eu senti uma
cócega funda me subindo das coxas para a barriga. Senti muitas outras vezes essa
cócega, até hoje sinto, mas nunca como nesse dia.

Quando ele chegou, parou bem embaixo da arcada do salão, com aquele
calção de saco de aniagem sem nada por baixo, vi logo que era uma ereção impetuosa,
uma força irresistível forçando o pano quase no meio da coxa esquerda, e ele cruzou
as mãos por cima, numa posição que agora eu talvez possa considerar engraçada, mas
na hora não me pareceu. Senti a cócega na barriga outra vez, mas ao mesmo tempo
não gostei. Não sei direito por que não gostei, mas na hora achei que foi porque fiquei
pensando em como era que aquele negrinho, aquele projeto de negrão, aliás, sabia que
tinha sido chamado para sacanagem. E se eu quisesse somente pegar passarinhos,
mostrar a ele os livros e lhe ensinar algumas letras do alfabeto? Só me lembro disso,
embora tenha certeza de que muito mais se passou atropeladamente por minha cabeça,
e meu fôlego ficou acelerado. Então veio o estupro, um inegável estupro. Domingo, e
o nome dele era Domingos. Rodei os olhos por aquelas paredes, apareceu na minha
cabeça padre Vitorino na aula de catecismo, dizendo que domingo queria dizer o dia
do Senhor, dominus vobiscum et cum spiritum tuum introibo ad altare Dei ite missa
est, aqueles latins do outro mundo e pareceu que um redemoinho me pegou, meus
olhos só viam em frente, meus ouvidos zumbiam, e eu falei, levantando a saia e
baixando a calçola:

– Chupe aqui.

Não me recordo do que ele respondeu de pronto, lembro que cuspiu para o
lado e disse que aquilo não, nada daquilo. Curioso, tudo está vindo de volta como
nunca antes. Lembro que olhei para baixo e vi no lugar geralmente designado por
nomes ridículos sob os quais a realidade é disfarçada, vi o que eu tenho que dizer com
todas as letras, porque de outro modo vou agir conforme tudo o que eu sou contra –
daqui a pouco eu consigo, é quase uma questão de honra, não vou ficar satisfeita se
não disser -, já razoavelmente emplumada e enfunada como um cavalo de combate,
me senti poderosa, marchei para ele, apertei-o no meio das pernas e, mordendo a
orelha dele, disse outra vez que ia contar a meu avô a ousadia dele. Chupe aqui, disse
eu, que não sabia realmente que as pessoas se chupavam, foi o que eu posso descrever
como instintivo. Falei com energia e puxei a cabeça dele para baixo pela carapinha e
empurrei a cara dele para dentro de minhas pernas, a ponto de ele ter tido dificuldade
em respirar. Não me incomodei, deixei que ele tomasse um pouco de ar e depois puxei
a cabeça dele de novo e entrei em orgasmo nessa mesma hora e deslizei para o chão. A
essa altura, ele já estava gostando e se empenhando e me encostei na parede de pernas
abertas e puxei muito a cabeça dele, enquanto, me encaixando na boca dele como
quem encaixa uma peça de precisão, como quem dá o peito para mamar, com um
prazer enormíssimo em fazer tudo isso minuciosamente, eu gozava outra vez.
Imediatamente, já possessa e numa ânsia que me fazia fibrilar o corpo todo, resolvi
que tinha que montar na cara dele, cavalgar mesmo, cavalgar, cavalgar e aí gozei mais
não sei quantas vezes, na boca, no nariz, nos olhos, na língua, na cabeça, gozei nele
todo e então desci e chupei ele, engolindo tanto daquela viga tesa quanto podia
engolir, depois sentindo o cheiro das virilhas, depois lambendo o saco, depois me
enroscando nele e esperando ele gozar na minha boca, embora ninguém antes me
tivesse dito como realmente era isso, só que ele não gozou na minha boca, acabou
esguichando meu rosto e eu esfreguei tudo em nós dois. É impressionante como eu fiz
tudo isso logo da primeira vez, porque foi mesmo a minha primeiríssima vez, e eu
nunca tinha visto nada, nem ninguém tinha de fato me ensinado nada, a não ser em
conversas doidas com as outras meninas do colégio, principalmente as internas, que
sempre ficavam meio loucas, como é natural. Grande parte dessas histórias não tinha
muito a ver com o que efetivamente é feito, com exceção das histórias sobre algumas
das freiras e outras alunas, que eu depois vi que eram mais ou menos verdade e hoje
sei que, na maioria dos casos, eram verdade. Suponho que devo ter um certo orgulho
disso, devo reconhecer sem modéstia que sou um talento nato, uma predestinada, uma
escolhida dos deuses, só pode ser algo assim. Não gosto de falar desta maneira, mas
não há como escapar, existe alguma coisa de inexplicável nisso, tenho de crer que
nasci sabendo, de certa forma. De certa forma não, eu nasci sabendo. Só pode ser, não
me pergunte como. Eu nasci sabendo.

Arrepios.

Depois disso, praticamente nunca mais nos falamos, você acredita? Nunca
mais nos falamos, mas continuamos a fazer as mesmas coisas e outras durante essas
férias todas, uma relação meio animalesca, que aproveitava as oportunidades, sem que
fosse necessário dizer nada. Era bom, era um dos muitos padrões que terminei
aprendendo e que tem seu lugar, tem muito seu lugar, estou com preguiça de explicar
por que e, além disso, quem tem sensibilidade aberta e aguçada nesse terreno sabe o
que eu quero dizer, e explicar a quem não tem adianta pouco ou quase nada. Só
fazíamos isso, e depois ele ia embora e, se acontecia passarmos um pelo outro em
lugares em que havia gente, era como se não nos víssemos. Não nos falamos mais e,
quando eu voltei, anos e anos depois e, quando eu voltava eventualmente depois de
bastante adulta, nós saíamos para pescar na canoa dele e trepávamos nus no meio do
mar. Isso só terminou mesmo depois que eu entrei em outra órbita e nunca mais
apareci. Sempre partíamos para nos agarrar automaticamente, quase todas as vezes em
que ficávamos sozinhos, a não ser nas raras ocasiões em que eu não estava a fim, e ele,
por alguma via telepática, sacava. Além disso, a iniciativa era sempre minha, ele ficava
esperando. Ainda nesse tempo de semi-adolescente e adolescente, eu ia com minha
avó ao Outeirão e era a mesma coisa, aperfeiçoada a cada encontro. Ele se viciou em
me chupar e eu em chupar ele e me dava muito prazer nós dois atrás das portas,
fazendo as coisas de maneira insubstituivelmente perigosa. Com o tempo, ainda nessas
férias em que começamos, ele passou a botar nas minhas coxas, e a gente aprendeu a
sincronizar o gozo, e eu fazia questão de que ele recuasse um pouco os quadris para
gozar nas minhas coxas. Fiquei uma especialista nessa prática, até hoje acho que é
muito bom em certas circunstâncias que não sei enumerar, mas sinto quando elas se
apresentam. O homem não pode gozar fora, não pode cometer o pecado de Onan,
que, como você sabe, não foi se masturbar, mas ejacular no chão, em vez de
emprenhar devidamente sua cunhada viúva, se não me engano era a cunhada viúva, ou
uma outra parenta em situação semelhante. Está no Velho Testamento, onde, aliás,
como eu já disse, estão muitas outras coisas habitualmente denunciadas como
reprováveis, que os padres e pastores fingem que não vêem. Os padres, em suas
bíblias, disfarçam as referências de Salomão com notas de pé de página, distorções de
sentido e trocas de palavras. É possível que eu tenha alguma fixação mórbida nisso,
agora talvez esteja notando indícios; curioso, nunca tinha me dado conta. O fato é que
amantes, concubinas e por aí vai são bastante encontradiças no Velho Testamento,
todo mundo sabe disso e continua com as pregações santimoniais a que até hoje não
me acostumei. É capaz dessa história de onanismo querendo dizer masturbação haver
sido inventada por eles, para não terem que admitir as relações hoje espúrias, que a
tradição relatada mostra. Uma vez li um conto de Isaac Bashevis Singer em que ele se
referia ao pecado de Onan de maneira correta e afirmava que, quando o homem
ejacula no chão, um diabinho é gerado. Pode ser, pode ser, o fato é que não está certo.
Na hora de gozar, tem que recuar os quadris e não privar a moça dessa irrigação tão
rica em significados e símbolos, tão misteriosa, afinal. Aconselhei várias outras
meninas sobre isso e sempre disse a elas: o homem que não goza nelas não merece
confiança. Ou então é um inepto, que precisa ser treinado. Eu nunca deixei de gostar,
sempre adorei, até porque é geralmente em pé, ligeiro e escondido, é muito bom, por
trás ou pela frente, evoca bons tempos, é meio peralta e muitas outras coisas,
dependendo de cada uma e do momento. Enfim, é uma opção entre muitas, que não
deve ser desprezada.

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Augustine de Villeblanche, ou o estratagema do amor – prazeres – Marques de Sade

– De todos os desvios da natureza, o que mais causou reflexão, que pareceu mais estranho a esses pseudofilósofos que tudo querem analisar sem nunca compreender algo -, dizia a uma de suas melhores amigas, certo dia, a srta. Villeblanche, da qual falaremos oportunamente daqui a pouco -, é esse gosto bizarro que mulheres de certa compleição, ou de certo temperamento, desenvolveram com respeito a pessoas do seu sexo. Embora bem anteriormente à imortal Safo, e depois dela, não tivesse existido uma única região do universo, sequer uma cidade, que não nos tivesse dado mulheres nascidas desse tipo de capricho, e de acordo com provas tão cabais, fosse mais razoável acusar a natureza de bizarria do que a essas mulheres de crime contra a natureza, jamais, entretanto, deixou-se de as censurar, e, sem a autoridade imperiosa que sempre teve o nosso sexo, quem sabe se algum Cujas, algum Bartole, algum Luís IX, teriam imaginado criar leis de fagots* , contra essas criaturas, do modo como ousaram promulgar contra os homens que, formando o mesmo gênero singular, e por tão boas razões, sem dúvida, imaginaram, entre eles, poder se bastar a si próprios, e pensaram que a mistura dos sexos, muito útil à propagação, podia muito bem não ter essa mesma importância para os prazeres. – Queira Deus que não tomemos nenhum partido sobre isso… não é, minha cara? – continuava a bela Augustine de Villeblanche, lançando a essa amiga beijos que pareciam, entretanto, no mínimo, suspeitos, mas em vez de fagots, em vez de desprezo, em vez de sarcasmos – essas armas de todos e embotadas em nossos dias -, não seria infinitamente mais simples, num gesto totalmente indiferente à sociedade, tão ao agrado de Deus, e, talvez mais útil à natureza do que se imagina, que se permitisse a cada qual agir segundo a própria vontade … ? O que se pode temer dessa
* Fagot tem por tradução feixe de lenha; nesta passagem, Sade alude à fogueira onde ardiam os hereges. (N. dos T.)
depravação? Aos olhos de todo ser verdadeiramente sábio, parecerá que ela é capaz de exercer influência sobre maiores depravações, mas nunca me convencerão de que ela pode acarretar depravações perigosas… Pelos céus! receia-se que os caprichos dessas pessoas, de um ou de outro sexo, sejam a causa do fim do mundo; que ponham em risco a valiosa espécie humana, e que seu pretenso crime a aniquile, por não se entregarem à sua multiplicação? Refleti bem sobre isso, e vereis que todas essas perdas quiméricas são inteiramente indiferentes à natureza; que não apenas ela não as condena em absoluto, mas também prova a nós, de mil maneiras, que as quer e deseja; e, contrariassem-na essas perdas, ela haveria de as tolerar em mil casos; permitiria ela, fosse-lhe a progenitura tão essencial, que uma mulher a isso não pudesse servir senão durante um terço de sua vida, e que, ao sair-lhe das mãos metade dos seres que ela gera, estes tivessem inclinações contrárias a essa progênie, exigida, todavia, por ela? Sendo mais preciso: ela permite que as espécies se multipliquem, mas não exige isso de modo algum, e, bem segura de que haverá sempre mais indivíduos do que lhe é necessário, longe está de contrariar Os pendores de quantos não se entregam à reprodução, e que se recusam a conformar-se a isso. Ah! deixemos que aja essa boa mãe; convençamo-nos de que imensos são os seus recursos, de que nada do que fazemos a ultraja e o crime que atentaria contra as suas leis jamais nos há de sujar as mãos.
A srta. Augustine de Villeblanche, de cuja parte da lógica acabamos de tomar conhecimento, tendo se tornado senhora de seus atos aos vinte anos de idade, podendo dispor de trinta mil libras de renda, decidira-se, por gosto, nunca se casar; de boa origem, sem ser ilustre, era ela filha de um homem que enriquecera nas índias, que a tivera como única filha, e morrera sem nunca a poder convencer de se casar. Não devemos dissimulá-lo; essa repugnância que Augustine manifestava pelo casamento em muito se devia a esse tipo de capricho do qual ela acabara de fazer apologia; seja por conselhos, por educação, seja por disposição de órgão ou pelo calor do seu sangue (nascera em Madras), seja por inspiração da natureza, enfim, seja por tudo o que se quiser, a srta. Villeblanche detestava os homens, e de todo se entregava àquilo que ouvidos castos entenderão com o termo safismo; não encontrava volúpia senão nas pessoas de seu sexo, e só com as Graças se compensava do desprezo que votava ao Amor.
Para os homens, Augustine era um verdadeiro desperdício; alta, podendo servir de modelo a um pintor, com cabelos castanhos os mais belos, nariz um pouco aquilino, dentes extraordinários, e olhos de uma expressão, de uma vivacidade! pele tão fina, tão branca, o conjunto, numa palavra, evocando tão ardente lascívia… que bem certo era que vê-la assim, perfeita para dar amor e tão determinada a não o receber de maneira alguma, poderia arrancar a muitos homens infinitas zombarias contra determinado gosto, por sinal, muito simples, mas privando, contudo, os altares de Pafo* de uma das criaturas do universo mais apropriadas a servi-los, – vê-la assim por força havia de animar os sectários dos templos de Vênus. A srta. Villeblanche ria prazerosamente dessas censuras todas, dessas maledicências, e por isso não se dava menos a seus caprichos.
– A maior de todas as loucuras – dizia ela – é enrubescer por causa de nossas inclinações naturais; e zombar de qualquer indivíduo que possua gostos singulares é absolutamente tão desumano quanto escarnecer de um homem ou de uma mulher saída zarolha ou coxa do seio de sua mãe; mas convencer os tolos sobre esses princípios racionais é tentar impedir o movimento dos astros. Para o orgulho, há uma espécie de prazer em zombar dos defeitos que se não tem, e essa satisfação é tão doce ao homem e particularmente aos néscios, que é muito raro vê-los renunciar a tal comportamento, este, por sinal, fomenta a malvadez, as frívolas palavras de espírito, os calembures vulgares, e, para a sociedade, isto é, para um grupo de seres que o tédio reúne e a estupidez modifica, é tão doce falar duas ou três horas sem nada dizer! tão delicioso brilhar às custas dos outros, e proclamar, estigmatizando um vício, que se está bem longe de o possuir… é uma espécie de elogio que se faz tacitamente a si mesmo; por esse preço é lícito inclusive associar-se aos outros, tracejar maquinações secretas a fim de
* Antiga cidade da ilha de Chipre, célebre por seu templo de Afrodite (N.dos T.)
pisar no indivíduo cujo grande erro é não pensar como a maioria dos mortais; e a pessoa volta para casa toda entufada devido à espirituosidade que não lhe faltou, embora com tal conduta só se tenha demonstrado, essencialmente, pedantismo e estupidez.
Assim pensava a srta. Villeblanche; decidida de maneira muito segura a nunca se reprimir, desdenhando as maledicências e bastante rica para manter-se a si própria acima de sua reputação, visava epicurianamente a uma vida voluptuosa, e de maneira nenhuma a beatices celestiais em que acreditava muito pouco, para não mencionar a idéia de uma imortalidade, por demais quimérica aos seus sentidos; no centro de um pequeno círculo de mulheres que pensavam como ela, a cara Augustine entregava-se inocentemente a todos os prazeres que a deleitavam. Tivera muitos pretendentes, mas todos haviam sido tão maltratados, que quando já se estava prestes a se renunciar a tal conquista, um jovem de nome Franville, de semelhante condição social, ao menos tão rico quanto ela, tendo se apaixonado como louco, não apenas não se revoltou de maneira nenhuma com sua firmeza, como também decidiu com muita seriedade não abandonar o posto enquanto ela não fosse conquistada; comunicou o projeto a seus amigos, que dele zombaram; asseverou-lhes que obteria êxito; eles o desafiaram a obtê-lo, e ele se lançou à empresa. Franville, com dois anos menos que a srta. Villeblanche, quase não tinha barba, mas boa estatura, e feições as mais delicadas, e os cabelos mais bonitos do mundo; quando o trajavam de mulher, ficava tão bem que sempre enganava os dois sexos, e recebia amiúde, fugindo ao assédio de uns, dos que demonstravam segurança em sua ação, uma grande quantidade de declarações tão objetivas que no mesmo dia seria capaz de se tornar o Antínoo de algum Adriano ou o Adônis de alguma Psique. Foi com esse disfarce que Franville imaginou seduzir srta. Villeblanche; veremos como procedeu.
Um dos maiores prazeres de Augustine era, durante o carnaval, vestir-se de homem, e participar de todos os bailes com esse disfarce, tão análogo a suas inclinações; Franville, que lhe mandava vigiar os passos, e que até aquele momento tivera o cuidado de revelar-se-lhe bem pouco, soube, certa feita, que essa a quem adorava na mesma noite iria a um baile organizado por associados do Ópera, onde todos os mascarados poderiam entrar, e que, segundo costume dessa moça encantadora, ela se apresentaria como capitã dos dragões. Ele se disfarça de mulher, enfeita-se, veste-se com toda elegância e propriedade, carrega a maquiagem, prescindindo da máscara, e, acompanhado por uma de suas irmãs, muito menos bonita do que ele próprio, apresenta-se assim no baile, para onde a amável Augustine se dirigia em busca de aventura.
Menos de três voltas pelo salão bastaram para que Franville fosse distinguido pelos olhos experientes de Augustine.
– Quem é aquela bela moça? – diz a srta. Villeblanche a uma amiga que a acompanhava – … creio nunca tê-la visto; como é possível que tão deliciosa criatura tenha, pois, nos escapado?
Mal haviam sido pronunciadas essas palavras, e Augustine faz quanto pode para encetar conversa com a falsa senhorita de Franville, que a princípio foge, inquieta-se, esquiva-se, escapa, e tudo isso a fim de fazer com que a desejem com mais ardor; por fim, ela o aborda, frases banais travam inicialmente a conversa a qual, a pouco e pouco, torna-se mais interessante.
– Está fazendo um calor insuportável no salão diz a srta. Villeblanche -, deixemos nossas companhias juntas, e tomemos um pouco de ar nesses aposentos onde nos divertimos e refrescamos.
– Ah! senhor – diz Franville à srta. Villeblanche a qual ainda finge confundir com um homem… – na verdade, não ouso fazer isso: estou aqui apenas com minha irmã, mas sei que minha mãe deverá vir com o esposo que me foi destinado, e se ambos me vissem convosco, seria uma grande confusão…
– Bem, bem, é preciso pôr-se ao abrigo de todo esse medo infantil… Qual a vossa idade, meu anjo?
– Dezoito anos, senhor.
– Ah! digo-vos que aos dezoito já se deve ter adquirido o direito de fazer tudo o que se quiser… vamos, vamos, acompanhai-me, e não tenhais nenhum medo… – E Franville se deixa levar.
– É verdade, encantadora criatura – continua Augustine, conduzindo a pessoa a quem ainda toma aposentos contíguos ao salão do baile… – é verdade, realmente vós vos unireis em matrimônio… como lamento por vós! e quem é ele, essa pessoa a quem vos destinam? um maçador, decerto… Ah, como será feliz, esse homem, e como eu gostaria de estar no lugar dele! Consentiríeis desposar-me a mim, por exemplo? dizei-me francamente, jovem celestial.
– Ai de mim! senhor, acaso não sabeis que, quando se é jovem, segue-se os impulsos do coração?
– Pois bem; recusai-o, esse homem vil! tornar-nos-emos ambos mais íntimos, e, se gostarmos… por que não nos unir-nos? Não preciso, graças a Deus, de permissão nenhuma; embora tenha só vinte anos, sou senhor de minha vida, e se pudésseis persuadir vossos pais em meu favor, antes de oito dias talvez estivésseis, vós e eu, ligados pelos laços eternos.
Tagarelando, saíram do baile, e a astuta Augustine, que até lá não conduzia sua presa para fugir ao perfeito amor, teve o cuidado de a conduzir a um aposento muito isolado, do qual, por meio de acordos acertados com os organizadores do baile, ela sempre tinha o cuidado de se fazer senhora.
– Oh Deus! – diz Franville, tão logo vê Augustine fechar a porta desse quarto e envolvê-lo nos seus braços -, oh pelos céus! Que desejais fazer?… O quê? Convosco, frente a frente, senhor, e num lugar tão retirado… deixai-me, deixai-me, rogo-vos! ou chamo agora mesmo por socorro.
– Impedir-te-ei de fazê-lo, anjo divino – diz Augustine, apertando a bela boca contra os lábios de Franville – grita agora, grita se podes, e o puro sopro de teu hálito de rosas abrasará ainda mais cedo o meu coração.
Franville defendia-se com bastante tibieza: é difícil encolerizar-se muito quando se recebe de maneira tão terna o primeiro beijo de quem se adora. Augustine, encorajada, investia com mais força, nisso pondo essa veemência que só com efeito conhecem as mulheres deliciosas, arrebatadas por essa fantasia. Em breve as mãos se desgarram; Franville faz o papel da mulher que cede, igualmente deixa que suas mãos explorem o corpo. Todas as vestes são retiradas, e os dedos se dirigem quase ao mesmo tempo para onde cada um crê encontrar o que lhe convém… Então, Franville muda imediatamente de papel:
– Oh! pelos céus – exclama ele -, o quê? Sois uma mulher…
– Horrível criatura – diz Augustine, pondo a mão em partes do corpo que não dão margem à dúvida -, tanto trabalho para encontrar um mísero homem… é preciso ter azar demais.
– Na verdade, não mais do que eu – diz FranviIle, recompondo-se, e dando mostras do mais profundo desprezo -, uso esse disfarce para seduzir os homens; eu os amo, corro atrás deles, e só encontro uma p…
– Oh, p…. não – diz Augustine, com rancor nunca o fui em minha vida; não é por se detestar os homens que se pode ser tratada dessa maneira…
– Como, sois mulher, e detestais os homens?
– Sim, e isso pela mesma razão de serdes homem e detestardes mulheres.
– Um encontro singular – eis tudo o que se pode dizer.
– E para mim muito triste – acrescenta Augustine, revelando todos os sintomas de descontentamento mais acentuado.
– Em verdade, senhorita, tal encontro é ainda mais fastidioso para mim – diz asperamente Franville -, desonrado por três semanas: sabeis que em nossa ordem fazemos voto de nunca tocar em mulheres?
– Parece-me que, sem se desonrar, é possível tocar numa como eu.
– Com efeito, minha bela – continua Franville não vejo grande motivo para a exceção, e não compreendo que um vício para vós valha um mérito adicional.
– Um vício? Mas caberia a vós censurar-me pelos meus, quando partilhais da mesma infâmia?
– Escutai – diz Franville -, não continuemos discutindo; o melhor é nos separarmos e nunca mais nos vermos.
E, dizendo isso, Franville prepara-se para abrir a porta.
– Um momento, um momento – diz Augustine impedindo-o de fazer isso -, ides espalhar nossa aventura pelo mundo todo, aposto.
– Talvez venha a me divertir com isso.
– Que me importa, de resto, estou, graças a Deus, acima da maledicência; retirai-vos, e dizei tudo o que vos aprouver… – e impedindo-o de sair mais uma vez – sabei – diz ela sorrindo – que essa história é extraordinária… nós dois nos enganávamos.
– Ah! o erro é muito mais intolerável – diz Franville – a pessoas de meu gosto, do que a pessoas do vosso… e esse vazio nos repugna…
– Por minha fé, meu caro! Sabei que o que nos ofereceis desagrada ao menos tanto quanto a vós! Ora, o desencanto é igual em cada um, mas a aventura é muito engraçada; não deixemos de concordar com isso. Voltareis ao baile?
– Não sei.
– No que me diz respeito, não volto mais lá – diz Augustine – … vós me fizestes experimentar coisas… contrariedade… vou me deitar.
– Perfeito.
– Mas vejamos se sereis bastante cortês para dardes o braço até minha casa; minha residência fica a dois passos daqui; não estou com minha carruagem; ireis me deixar aqui…
– Não, eu vos acompanharei de bom grado – diz Franville -, nossas inclinações não nos impedem de sermos polidos… quereis minha mão?… ei-la.
– Só me sirvo dela porque não encontro coisa melhor, pelo menos.
– Ficai tranqüila; para mim, só vô-la ofereço por honestidade.
Chegam à porta da casa de Augustine, e Franville apresta-se a se despedir.
– Em verdade, sois delicioso – diz a srta. Villeblanche -, o quê? deixar-me-eis na rua?
– Com mil desculpas – diz Franville – … eu não pretendia…
– Ah, como são rudes esses homens que não amam as mulheres!
– É que – diz Franville, dando, todavia, o braço à srta. Villeblanche até sua residência -, vede, senhorita, eu gostaria de retornar bem rápido ao baile e nele tentar reparar minha estupidez.
– Vossa estupidez? Estais, pois, bem irritado por ter-me encontrado?
– Eu não disse isso; mas não é verdade que podíamos os dois ter um encontro infinitamente melhor?
– Sim, tendes razão – diz Augustine, entrando enfim eu seu apartamento – tendes razão, senhor, eu, sobretudo… pois temo que esse funesto encontro não me custe a felicidade de minha vida.
– De que modo? Não estais, Portanto, bem segura de vossos sentimentos?
– Ainda ontem estava.
– Ah! não sustentais vossas tácitas afirmações.
– Não sustento coisa alguma; vós me impacientais.
– Pois bem, eu me retiro, senhorita, me retiro… Deus me livre de vos incomodar por mais tempo.
– Não! permanecer, ordeno-vos! seríeis capaz de vos esforçar a fim de obedecer a uma mulher pelo menos uma vez em vossa vida?
– Nada há que eu não faça – diz Franville, sentando-se por complacência – já vos disse; sou honesto.
– Sabeis que, na vossa, é muito decente ter gostos tão singulares?
– Oh! isso é muito diferente! no nosso caso, trata-se de discrição, pudor… até mesmo orgulho, se quiserdes; medo de entregar-se a um sexo que nos seduz somente para subjugar-nos… Entretanto, os sentidos não mentem, e encontramos alívio entre nós; conseguimos
ocultar-nos muito bem, e disso resulta um verniz de sabedoria que freqüentes vezes engana; assim, a natureza se satisfaz, a decência é observada e os costumes não são ultrajados.
– Eis o que se costuma chamar um bom e belo sofisma; procedendo dessa maneira, justificar-se-ia tudo; e o que dizeis em tudo isso que também não possamos alegar em favor nosso?
– De maneira alguma! com preconceitos muito diferentes, não deveis ter medo que tais; vosso triunfo está em nossa derrota… mais multiplicais vossas conquistas, mais acrescentais à vossa glória, e não vos podeis abster dos sentimentos que em vós despertamos, senão pelo vício ou pela depravação.
– Na verdade, creio que me hás de converter.
– Eu o desejaria.
– O que ganharíeis com isso, enquanto vós mesma continuaríeis em erro?
– É uma necessidade imposta pelo meu sexo, e, tal como as mulheres, fico bem contente de trabalhar para elas.
– Se o milagre se realizasse, seus efeitos não seriam tão gerais quanto imaginais; eu só desejaria me converter para uma única mulher para pelo menos… tentar.
– O que dizeis é justo.
– O que é bem certo é que há certo preconceito, acredito, a tomar partido antes de ter experimentado tudo.
– Como? nunca tivestes uma mulher?
– Nunca; e vós… possuiríeis por acaso primícias tão seguras?
– Oh, primícias, não… as mulheres que nós vemos são tão hábeis e tão ciumentas que nada nos permitem… mas nunca conheci um homem em minha vida.
– E fizestes um juramento?
– Sim, jamais quero ver um, ou, pelo menos tão singular quanto eu.
– Lamento não ter feito o mesmo voto.
– Não creio que seja possível ser mais impertinente…
E dizendo essas palavras, a srta. Villeblanche levanta-se e diz a Franville que ele pode se retirar. Nosso jovem amante, sempre frívolo, faz uma profunda reverência e se prepara para sair.
– Retornais ao baile – diz-lhe secamente a srta. Villeblanche, observando-o com um despeito aliado ao mais ardente amor.
– Mas sim, eu vos disse; é o que me parece.
– Pelo visto, não sois capaz do sacrifício que vos faço.
– Que sacrifício me haveis feito?
– Só voltei para casa a fim de nada mais ver depois de ter tido a infelicidade de vos conhecer.
– Infelicidade?
– Sois vós que me forçais a empregar essa expressão; só de vós dependeria que eu lançasse mão de uma bem diferente .
– E como haveríeis de conciliar isso com vossos gostos?
– O que não se abandona quando se ama!
– É verdade; mas ser-vos-ia impossível amar-me.
– Concordo com isso; se conservásseis hábitos tão detestáveis quanto esses que descobri em vós.
– E se eu renunciasse a eles?
– No mesmo instante, havia de imolar os meus nos altares do amor… Ah! criatura pérfida!, que essa confissão custe a minha glória, a qual acabas de arrancar-me – diz Augustine em lágrimas -, deixando-se cair sobre uma poltrona.
– Da mais bonita boca do universo obtive a confissão mais lisonjeira que me seria dado ouvir – diz Franville, lançando-se aos joelhos de Augustine – … Ah! caro objeto de meu mais terno amor! reconhecer meu ardil e condescender em não puni-lo de modo algum; é aos vossos pés que vos imploro graça; permanecerei aqui até obter meu perdão. Vedes próximo a
vós, senhorita, o amante mais constante e mais apaixonado; imaginei necessário esse estratagema para sobrepujar um coração cujos obstáculos eu conhecia. Obtive êxito, bela Augustine? Recusareis, ao amor sem máculas, o que haveis condescendido em dizer ao amante culpado… culpado, eu… culpado do que haveis acreditado… ah! podíeis supor que uma paixão impura pudesse existir na alma daquele que nunca ardeu de paixão senão por vós.
– Traidor, tu me enganastes… mas te perdôo… contudo, nada terás que me sacrificar, pérfido; e meu orgulho sentir-se-á até mesmo lisonjeado por isso; pois bem, não importa; quanto a mim, tudo te sacrifico… Está certo, renuncio com alegria para te satisfazer as torpezas a que a vaidade nos arrasta quase tão amiúde quanto nossos gostos. Sei que a natureza acaba por triunfar, eu sufocava por desvios que agora abomino de todo meu coração; não resistimos de modo nenhum a seu império; ela não nos criou senão para vós; não vos formou senão para nós; sigamos as leis dela, é pelo intermédio do próprio amor que ela hoje mos inspira; elas se tornarão para mim mais sagradas. Eis minha mão, senhor; eu vos tenho por homem de palavra, e feito para aspirar a mim. Se eu por um instante fiz por merecer perder vossa estima, por força de cuidados e ternura talvez venha a recuperar minhas faltas, e forçar-vos-ei a reconhecer que aquelas da imaginação nem sempre degradam uma alma boa.
Franville, no cúmulo de seus votos, inundando de lágrimas de sua alegria as belas mãos que as mantém coladas à sua boca, levanta-se e precipitando-se nos braços que se lhe abrem:
– Oh, dia mais feliz de minha vida – ele exclama existe algo de comparável a meu triunfo? Trago de volta ao seio das virtudes o coração em que vou reinar para sempre.
Franville beija mil vezes o divino objeto de seu amor e dele se separa; comunica, no dia seguinte, sua felicidade a todos os seus amigos; a srta. Villeblanche era muito bom partido para que seus pais lho recusassem; ele a desposa na mesma semana. A ternura, a confiança, a discrição mais estrita, a modéstia mais severa, coroaram seu casamento, e se tornando o mais feliz dos homens, foi bastante hábil para fazer da mais libertina das moças a mais sábia e a mais virtuosa das mulheres.

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