Download de Livros(PDF), como “A Divina Comédia” e “Poemas de Fernando Pessoa”

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Good Luck

  1. A Divina Comédia – Dante Alighieri
  2. Poemas de Fernando Pessoa – Fernando Pessoa
  3. A Comédia dos Erros – William Shakespeare
  4. Romeu e Julieta – William Shakespeare
  5. Mensagem – Fernando Pessoa
  6. Dom Casmurro – Machado de Assis
  7. Sonho de Uma Noite de Verão – William Shakespeare
  8. O Eu profundo e os outros Eus. – Fernando Pessoa
  9. A Cartomante – Machado de Assis
  10. Poesias Inéditas – Fernando Pessoa
  11. Cancioneiro – Fernando Pessoa
  12. A Megera Domada – William Shakespeare
  13. Tudo Bem Quando Termina Bem – William Shakespeare
  14. A Tragédia de Hamlet, Príncipe da Dinamarca – William Shakespeare
  15. A Carteira – Machado de Assis
  16. Dom Casmurro – Machado de Assis
  17. Do Livro do Desassossego – Fernando Pessoa
  18. Macbeth – William Shakespeare
  19. O pastor amoroso – Fernando Pessoa
  20. A Igreja do Diabo – Machado de Assis
  21. A Tempestade – William Shakespeare
  22. Livro do Desassossego – Fernando Pessoa
  23. O Mercador de Veneza – William Shakespeare
  24. Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis
  25. A Carta – Pero Vaz de Caminha
  26. Cancioneiro – Fernando Pessoa
  27. O Guardador de Rebanhos – Fernando Pessoa
  28. Trabalhos de Amor Perdidos – William Shakespeare
  29. Os Lusíadas – Luís Vaz de Camões
  30. A Carta de Pero Vaz de Caminha – Pero Vaz de Caminha
  31. Este mundo da injustiça globalizada – José Saramago
  32. A Carteira – Machado de Assis
  33. Conto de Inverno – William Shakespeare
  34. A Cartomante – Machado de Assis
  35. Muito Barulho Por Nada – William Shakespeare
  36. Poemas Traduzidos – Fernando Pessoa
  37. A Metamorfose – Franz Kafka
  38. A Mão e a Luva – Machado de Assis
  39. Americanas – Machado de Assis
  40. Otelo, O Mouro de Veneza – William Shakespeare
  41. Júlio César – William Shakespeare
  42. A Cidade e as Serras – José Maria Eça de Queirós
  43. Rei Lear – William Shakespeare
  44. Poemas Inconjuntos – Fernando Pessoa
  45. O Alienista – Machado de Assis
  46. Antônio e Cleópatra – William Shakespeare
  47. A Causa Secreta – Machado de Assis
  48. A Esfinge sem Segredo – Oscar Wilde
  49. Kamasutra – Mallanâga Vâtsyâyana
  50. Poemas de Álvaro de Campos – Fernando Pessoa
  51. O Banqueiro Anarquista – Fernando Pessoa
  52. Arte Poética – Aristóteles
  53. A Ela – Machado de Assis
  54. A Volta ao Mundo em 80 Dias – Júlio Verne
  55. Auto da Barca do Inferno – Gil Vicente
  56. A Moreninha – Joaquim Manuel de Macedo
  57. Iracema – José de Alencar
  58. Adão e Eva – Machado de Assis
  59. Dom Casmurro – Machado de Assis
  60. Poemas em Inglês – Fernando Pessoa
  61. Édipo-Rei – Sófocles
  62. Iliada – Homero
  63. A Igreja do Diabo – Machado de Assis
  64. Odisséia – Homero
  65. Senhora – José de Alencar
  66. Poemas de Álvaro de Campos – Fernando Pessoa
  67. Poemas de Álvaro de Campos – Fernando Pessoa
  68. Poemas Selecionados – Florbela Espanca
  69. Ricardo III – William Shakespeare
  70. Alma Inquieta – Olavo Bilac
  71. As Alegres Senhoras de Windsor – William Shakespeare
  72. Catálogo de Autores Brasileiros com a Obra em Domínio Público – Fundação Biblioteca Nacional
  73. A Chinela Turca – Machado de Assis
  74. Auto da Barca do Inferno – Gil Vicente
  75. Os Maias – José Maria Eça de Queirós
  76. A Pianista – Machado de Assis
  77. A Escrava Isaura – Bernardo Guimarães
  78. Poemas de Ricardo Reis – Fernando Pessoa
  79. Iracema – José de Alencar
  80. Os Sertões – Euclides da Cunha
  81. Quincas Borba – Machado de Assis
  82. A Dama das Camélias – Alexandre Dumas
  83. Fausto – Johann Wolfgang von Goethe
  84. A Alma Encantadora das Ruas – João do Rio
  85. O Guarani – José de Alencar
  86. Primeiro Fausto – Fernando Pessoa
  87. O Cortiço – Aluísio Azevedo
  88. Pai Contra Mãe – Machado de Assis
  89. Poemas de Ricardo Reis – Fernando Pessoa
  90. Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis
  91. Sonetos – Luís Vaz de Camões
  92. Hamlet – William Shakespeare
  93. Contos Fluminenses – Machado de Assis
  94. Eu e Outras Poesias – Augusto dos Anjos
  95. A Vida Eterna – Machado de Assis
  96. O Primo Basílio – José Maria Eça de Queirós
  97. Canção do Exílio – Antônio Gonçalves Dias
  98. O Espelho – Machado de Assis
  99. Eu – Augusto dos Anjos
  100. A Herança – Machado de Assis

Lista completa: aqui.

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Eram os deuses Astronautas – O Filme

Augustine de Villeblanche, ou o estratagema do amor – prazeres – Marques de Sade

– De todos os desvios da natureza, o que mais causou reflexão, que pareceu mais estranho a esses pseudofilósofos que tudo querem analisar sem nunca compreender algo -, dizia a uma de suas melhores amigas, certo dia, a srta. Villeblanche, da qual falaremos oportunamente daqui a pouco -, é esse gosto bizarro que mulheres de certa compleição, ou de certo temperamento, desenvolveram com respeito a pessoas do seu sexo. Embora bem anteriormente à imortal Safo, e depois dela, não tivesse existido uma única região do universo, sequer uma cidade, que não nos tivesse dado mulheres nascidas desse tipo de capricho, e de acordo com provas tão cabais, fosse mais razoável acusar a natureza de bizarria do que a essas mulheres de crime contra a natureza, jamais, entretanto, deixou-se de as censurar, e, sem a autoridade imperiosa que sempre teve o nosso sexo, quem sabe se algum Cujas, algum Bartole, algum Luís IX, teriam imaginado criar leis de fagots* , contra essas criaturas, do modo como ousaram promulgar contra os homens que, formando o mesmo gênero singular, e por tão boas razões, sem dúvida, imaginaram, entre eles, poder se bastar a si próprios, e pensaram que a mistura dos sexos, muito útil à propagação, podia muito bem não ter essa mesma importância para os prazeres. – Queira Deus que não tomemos nenhum partido sobre isso… não é, minha cara? – continuava a bela Augustine de Villeblanche, lançando a essa amiga beijos que pareciam, entretanto, no mínimo, suspeitos, mas em vez de fagots, em vez de desprezo, em vez de sarcasmos – essas armas de todos e embotadas em nossos dias -, não seria infinitamente mais simples, num gesto totalmente indiferente à sociedade, tão ao agrado de Deus, e, talvez mais útil à natureza do que se imagina, que se permitisse a cada qual agir segundo a própria vontade … ? O que se pode temer dessa
* Fagot tem por tradução feixe de lenha; nesta passagem, Sade alude à fogueira onde ardiam os hereges. (N. dos T.)
depravação? Aos olhos de todo ser verdadeiramente sábio, parecerá que ela é capaz de exercer influência sobre maiores depravações, mas nunca me convencerão de que ela pode acarretar depravações perigosas… Pelos céus! receia-se que os caprichos dessas pessoas, de um ou de outro sexo, sejam a causa do fim do mundo; que ponham em risco a valiosa espécie humana, e que seu pretenso crime a aniquile, por não se entregarem à sua multiplicação? Refleti bem sobre isso, e vereis que todas essas perdas quiméricas são inteiramente indiferentes à natureza; que não apenas ela não as condena em absoluto, mas também prova a nós, de mil maneiras, que as quer e deseja; e, contrariassem-na essas perdas, ela haveria de as tolerar em mil casos; permitiria ela, fosse-lhe a progenitura tão essencial, que uma mulher a isso não pudesse servir senão durante um terço de sua vida, e que, ao sair-lhe das mãos metade dos seres que ela gera, estes tivessem inclinações contrárias a essa progênie, exigida, todavia, por ela? Sendo mais preciso: ela permite que as espécies se multipliquem, mas não exige isso de modo algum, e, bem segura de que haverá sempre mais indivíduos do que lhe é necessário, longe está de contrariar Os pendores de quantos não se entregam à reprodução, e que se recusam a conformar-se a isso. Ah! deixemos que aja essa boa mãe; convençamo-nos de que imensos são os seus recursos, de que nada do que fazemos a ultraja e o crime que atentaria contra as suas leis jamais nos há de sujar as mãos.
A srta. Augustine de Villeblanche, de cuja parte da lógica acabamos de tomar conhecimento, tendo se tornado senhora de seus atos aos vinte anos de idade, podendo dispor de trinta mil libras de renda, decidira-se, por gosto, nunca se casar; de boa origem, sem ser ilustre, era ela filha de um homem que enriquecera nas índias, que a tivera como única filha, e morrera sem nunca a poder convencer de se casar. Não devemos dissimulá-lo; essa repugnância que Augustine manifestava pelo casamento em muito se devia a esse tipo de capricho do qual ela acabara de fazer apologia; seja por conselhos, por educação, seja por disposição de órgão ou pelo calor do seu sangue (nascera em Madras), seja por inspiração da natureza, enfim, seja por tudo o que se quiser, a srta. Villeblanche detestava os homens, e de todo se entregava àquilo que ouvidos castos entenderão com o termo safismo; não encontrava volúpia senão nas pessoas de seu sexo, e só com as Graças se compensava do desprezo que votava ao Amor.
Para os homens, Augustine era um verdadeiro desperdício; alta, podendo servir de modelo a um pintor, com cabelos castanhos os mais belos, nariz um pouco aquilino, dentes extraordinários, e olhos de uma expressão, de uma vivacidade! pele tão fina, tão branca, o conjunto, numa palavra, evocando tão ardente lascívia… que bem certo era que vê-la assim, perfeita para dar amor e tão determinada a não o receber de maneira alguma, poderia arrancar a muitos homens infinitas zombarias contra determinado gosto, por sinal, muito simples, mas privando, contudo, os altares de Pafo* de uma das criaturas do universo mais apropriadas a servi-los, – vê-la assim por força havia de animar os sectários dos templos de Vênus. A srta. Villeblanche ria prazerosamente dessas censuras todas, dessas maledicências, e por isso não se dava menos a seus caprichos.
– A maior de todas as loucuras – dizia ela – é enrubescer por causa de nossas inclinações naturais; e zombar de qualquer indivíduo que possua gostos singulares é absolutamente tão desumano quanto escarnecer de um homem ou de uma mulher saída zarolha ou coxa do seio de sua mãe; mas convencer os tolos sobre esses princípios racionais é tentar impedir o movimento dos astros. Para o orgulho, há uma espécie de prazer em zombar dos defeitos que se não tem, e essa satisfação é tão doce ao homem e particularmente aos néscios, que é muito raro vê-los renunciar a tal comportamento, este, por sinal, fomenta a malvadez, as frívolas palavras de espírito, os calembures vulgares, e, para a sociedade, isto é, para um grupo de seres que o tédio reúne e a estupidez modifica, é tão doce falar duas ou três horas sem nada dizer! tão delicioso brilhar às custas dos outros, e proclamar, estigmatizando um vício, que se está bem longe de o possuir… é uma espécie de elogio que se faz tacitamente a si mesmo; por esse preço é lícito inclusive associar-se aos outros, tracejar maquinações secretas a fim de
* Antiga cidade da ilha de Chipre, célebre por seu templo de Afrodite (N.dos T.)
pisar no indivíduo cujo grande erro é não pensar como a maioria dos mortais; e a pessoa volta para casa toda entufada devido à espirituosidade que não lhe faltou, embora com tal conduta só se tenha demonstrado, essencialmente, pedantismo e estupidez.
Assim pensava a srta. Villeblanche; decidida de maneira muito segura a nunca se reprimir, desdenhando as maledicências e bastante rica para manter-se a si própria acima de sua reputação, visava epicurianamente a uma vida voluptuosa, e de maneira nenhuma a beatices celestiais em que acreditava muito pouco, para não mencionar a idéia de uma imortalidade, por demais quimérica aos seus sentidos; no centro de um pequeno círculo de mulheres que pensavam como ela, a cara Augustine entregava-se inocentemente a todos os prazeres que a deleitavam. Tivera muitos pretendentes, mas todos haviam sido tão maltratados, que quando já se estava prestes a se renunciar a tal conquista, um jovem de nome Franville, de semelhante condição social, ao menos tão rico quanto ela, tendo se apaixonado como louco, não apenas não se revoltou de maneira nenhuma com sua firmeza, como também decidiu com muita seriedade não abandonar o posto enquanto ela não fosse conquistada; comunicou o projeto a seus amigos, que dele zombaram; asseverou-lhes que obteria êxito; eles o desafiaram a obtê-lo, e ele se lançou à empresa. Franville, com dois anos menos que a srta. Villeblanche, quase não tinha barba, mas boa estatura, e feições as mais delicadas, e os cabelos mais bonitos do mundo; quando o trajavam de mulher, ficava tão bem que sempre enganava os dois sexos, e recebia amiúde, fugindo ao assédio de uns, dos que demonstravam segurança em sua ação, uma grande quantidade de declarações tão objetivas que no mesmo dia seria capaz de se tornar o Antínoo de algum Adriano ou o Adônis de alguma Psique. Foi com esse disfarce que Franville imaginou seduzir srta. Villeblanche; veremos como procedeu.
Um dos maiores prazeres de Augustine era, durante o carnaval, vestir-se de homem, e participar de todos os bailes com esse disfarce, tão análogo a suas inclinações; Franville, que lhe mandava vigiar os passos, e que até aquele momento tivera o cuidado de revelar-se-lhe bem pouco, soube, certa feita, que essa a quem adorava na mesma noite iria a um baile organizado por associados do Ópera, onde todos os mascarados poderiam entrar, e que, segundo costume dessa moça encantadora, ela se apresentaria como capitã dos dragões. Ele se disfarça de mulher, enfeita-se, veste-se com toda elegância e propriedade, carrega a maquiagem, prescindindo da máscara, e, acompanhado por uma de suas irmãs, muito menos bonita do que ele próprio, apresenta-se assim no baile, para onde a amável Augustine se dirigia em busca de aventura.
Menos de três voltas pelo salão bastaram para que Franville fosse distinguido pelos olhos experientes de Augustine.
– Quem é aquela bela moça? – diz a srta. Villeblanche a uma amiga que a acompanhava – … creio nunca tê-la visto; como é possível que tão deliciosa criatura tenha, pois, nos escapado?
Mal haviam sido pronunciadas essas palavras, e Augustine faz quanto pode para encetar conversa com a falsa senhorita de Franville, que a princípio foge, inquieta-se, esquiva-se, escapa, e tudo isso a fim de fazer com que a desejem com mais ardor; por fim, ela o aborda, frases banais travam inicialmente a conversa a qual, a pouco e pouco, torna-se mais interessante.
– Está fazendo um calor insuportável no salão diz a srta. Villeblanche -, deixemos nossas companhias juntas, e tomemos um pouco de ar nesses aposentos onde nos divertimos e refrescamos.
– Ah! senhor – diz Franville à srta. Villeblanche a qual ainda finge confundir com um homem… – na verdade, não ouso fazer isso: estou aqui apenas com minha irmã, mas sei que minha mãe deverá vir com o esposo que me foi destinado, e se ambos me vissem convosco, seria uma grande confusão…
– Bem, bem, é preciso pôr-se ao abrigo de todo esse medo infantil… Qual a vossa idade, meu anjo?
– Dezoito anos, senhor.
– Ah! digo-vos que aos dezoito já se deve ter adquirido o direito de fazer tudo o que se quiser… vamos, vamos, acompanhai-me, e não tenhais nenhum medo… – E Franville se deixa levar.
– É verdade, encantadora criatura – continua Augustine, conduzindo a pessoa a quem ainda toma aposentos contíguos ao salão do baile… – é verdade, realmente vós vos unireis em matrimônio… como lamento por vós! e quem é ele, essa pessoa a quem vos destinam? um maçador, decerto… Ah, como será feliz, esse homem, e como eu gostaria de estar no lugar dele! Consentiríeis desposar-me a mim, por exemplo? dizei-me francamente, jovem celestial.
– Ai de mim! senhor, acaso não sabeis que, quando se é jovem, segue-se os impulsos do coração?
– Pois bem; recusai-o, esse homem vil! tornar-nos-emos ambos mais íntimos, e, se gostarmos… por que não nos unir-nos? Não preciso, graças a Deus, de permissão nenhuma; embora tenha só vinte anos, sou senhor de minha vida, e se pudésseis persuadir vossos pais em meu favor, antes de oito dias talvez estivésseis, vós e eu, ligados pelos laços eternos.
Tagarelando, saíram do baile, e a astuta Augustine, que até lá não conduzia sua presa para fugir ao perfeito amor, teve o cuidado de a conduzir a um aposento muito isolado, do qual, por meio de acordos acertados com os organizadores do baile, ela sempre tinha o cuidado de se fazer senhora.
– Oh Deus! – diz Franville, tão logo vê Augustine fechar a porta desse quarto e envolvê-lo nos seus braços -, oh pelos céus! Que desejais fazer?… O quê? Convosco, frente a frente, senhor, e num lugar tão retirado… deixai-me, deixai-me, rogo-vos! ou chamo agora mesmo por socorro.
– Impedir-te-ei de fazê-lo, anjo divino – diz Augustine, apertando a bela boca contra os lábios de Franville – grita agora, grita se podes, e o puro sopro de teu hálito de rosas abrasará ainda mais cedo o meu coração.
Franville defendia-se com bastante tibieza: é difícil encolerizar-se muito quando se recebe de maneira tão terna o primeiro beijo de quem se adora. Augustine, encorajada, investia com mais força, nisso pondo essa veemência que só com efeito conhecem as mulheres deliciosas, arrebatadas por essa fantasia. Em breve as mãos se desgarram; Franville faz o papel da mulher que cede, igualmente deixa que suas mãos explorem o corpo. Todas as vestes são retiradas, e os dedos se dirigem quase ao mesmo tempo para onde cada um crê encontrar o que lhe convém… Então, Franville muda imediatamente de papel:
– Oh! pelos céus – exclama ele -, o quê? Sois uma mulher…
– Horrível criatura – diz Augustine, pondo a mão em partes do corpo que não dão margem à dúvida -, tanto trabalho para encontrar um mísero homem… é preciso ter azar demais.
– Na verdade, não mais do que eu – diz FranviIle, recompondo-se, e dando mostras do mais profundo desprezo -, uso esse disfarce para seduzir os homens; eu os amo, corro atrás deles, e só encontro uma p…
– Oh, p…. não – diz Augustine, com rancor nunca o fui em minha vida; não é por se detestar os homens que se pode ser tratada dessa maneira…
– Como, sois mulher, e detestais os homens?
– Sim, e isso pela mesma razão de serdes homem e detestardes mulheres.
– Um encontro singular – eis tudo o que se pode dizer.
– E para mim muito triste – acrescenta Augustine, revelando todos os sintomas de descontentamento mais acentuado.
– Em verdade, senhorita, tal encontro é ainda mais fastidioso para mim – diz asperamente Franville -, desonrado por três semanas: sabeis que em nossa ordem fazemos voto de nunca tocar em mulheres?
– Parece-me que, sem se desonrar, é possível tocar numa como eu.
– Com efeito, minha bela – continua Franville não vejo grande motivo para a exceção, e não compreendo que um vício para vós valha um mérito adicional.
– Um vício? Mas caberia a vós censurar-me pelos meus, quando partilhais da mesma infâmia?
– Escutai – diz Franville -, não continuemos discutindo; o melhor é nos separarmos e nunca mais nos vermos.
E, dizendo isso, Franville prepara-se para abrir a porta.
– Um momento, um momento – diz Augustine impedindo-o de fazer isso -, ides espalhar nossa aventura pelo mundo todo, aposto.
– Talvez venha a me divertir com isso.
– Que me importa, de resto, estou, graças a Deus, acima da maledicência; retirai-vos, e dizei tudo o que vos aprouver… – e impedindo-o de sair mais uma vez – sabei – diz ela sorrindo – que essa história é extraordinária… nós dois nos enganávamos.
– Ah! o erro é muito mais intolerável – diz Franville – a pessoas de meu gosto, do que a pessoas do vosso… e esse vazio nos repugna…
– Por minha fé, meu caro! Sabei que o que nos ofereceis desagrada ao menos tanto quanto a vós! Ora, o desencanto é igual em cada um, mas a aventura é muito engraçada; não deixemos de concordar com isso. Voltareis ao baile?
– Não sei.
– No que me diz respeito, não volto mais lá – diz Augustine – … vós me fizestes experimentar coisas… contrariedade… vou me deitar.
– Perfeito.
– Mas vejamos se sereis bastante cortês para dardes o braço até minha casa; minha residência fica a dois passos daqui; não estou com minha carruagem; ireis me deixar aqui…
– Não, eu vos acompanharei de bom grado – diz Franville -, nossas inclinações não nos impedem de sermos polidos… quereis minha mão?… ei-la.
– Só me sirvo dela porque não encontro coisa melhor, pelo menos.
– Ficai tranqüila; para mim, só vô-la ofereço por honestidade.
Chegam à porta da casa de Augustine, e Franville apresta-se a se despedir.
– Em verdade, sois delicioso – diz a srta. Villeblanche -, o quê? deixar-me-eis na rua?
– Com mil desculpas – diz Franville – … eu não pretendia…
– Ah, como são rudes esses homens que não amam as mulheres!
– É que – diz Franville, dando, todavia, o braço à srta. Villeblanche até sua residência -, vede, senhorita, eu gostaria de retornar bem rápido ao baile e nele tentar reparar minha estupidez.
– Vossa estupidez? Estais, pois, bem irritado por ter-me encontrado?
– Eu não disse isso; mas não é verdade que podíamos os dois ter um encontro infinitamente melhor?
– Sim, tendes razão – diz Augustine, entrando enfim eu seu apartamento – tendes razão, senhor, eu, sobretudo… pois temo que esse funesto encontro não me custe a felicidade de minha vida.
– De que modo? Não estais, Portanto, bem segura de vossos sentimentos?
– Ainda ontem estava.
– Ah! não sustentais vossas tácitas afirmações.
– Não sustento coisa alguma; vós me impacientais.
– Pois bem, eu me retiro, senhorita, me retiro… Deus me livre de vos incomodar por mais tempo.
– Não! permanecer, ordeno-vos! seríeis capaz de vos esforçar a fim de obedecer a uma mulher pelo menos uma vez em vossa vida?
– Nada há que eu não faça – diz Franville, sentando-se por complacência – já vos disse; sou honesto.
– Sabeis que, na vossa, é muito decente ter gostos tão singulares?
– Oh! isso é muito diferente! no nosso caso, trata-se de discrição, pudor… até mesmo orgulho, se quiserdes; medo de entregar-se a um sexo que nos seduz somente para subjugar-nos… Entretanto, os sentidos não mentem, e encontramos alívio entre nós; conseguimos
ocultar-nos muito bem, e disso resulta um verniz de sabedoria que freqüentes vezes engana; assim, a natureza se satisfaz, a decência é observada e os costumes não são ultrajados.
– Eis o que se costuma chamar um bom e belo sofisma; procedendo dessa maneira, justificar-se-ia tudo; e o que dizeis em tudo isso que também não possamos alegar em favor nosso?
– De maneira alguma! com preconceitos muito diferentes, não deveis ter medo que tais; vosso triunfo está em nossa derrota… mais multiplicais vossas conquistas, mais acrescentais à vossa glória, e não vos podeis abster dos sentimentos que em vós despertamos, senão pelo vício ou pela depravação.
– Na verdade, creio que me hás de converter.
– Eu o desejaria.
– O que ganharíeis com isso, enquanto vós mesma continuaríeis em erro?
– É uma necessidade imposta pelo meu sexo, e, tal como as mulheres, fico bem contente de trabalhar para elas.
– Se o milagre se realizasse, seus efeitos não seriam tão gerais quanto imaginais; eu só desejaria me converter para uma única mulher para pelo menos… tentar.
– O que dizeis é justo.
– O que é bem certo é que há certo preconceito, acredito, a tomar partido antes de ter experimentado tudo.
– Como? nunca tivestes uma mulher?
– Nunca; e vós… possuiríeis por acaso primícias tão seguras?
– Oh, primícias, não… as mulheres que nós vemos são tão hábeis e tão ciumentas que nada nos permitem… mas nunca conheci um homem em minha vida.
– E fizestes um juramento?
– Sim, jamais quero ver um, ou, pelo menos tão singular quanto eu.
– Lamento não ter feito o mesmo voto.
– Não creio que seja possível ser mais impertinente…
E dizendo essas palavras, a srta. Villeblanche levanta-se e diz a Franville que ele pode se retirar. Nosso jovem amante, sempre frívolo, faz uma profunda reverência e se prepara para sair.
– Retornais ao baile – diz-lhe secamente a srta. Villeblanche, observando-o com um despeito aliado ao mais ardente amor.
– Mas sim, eu vos disse; é o que me parece.
– Pelo visto, não sois capaz do sacrifício que vos faço.
– Que sacrifício me haveis feito?
– Só voltei para casa a fim de nada mais ver depois de ter tido a infelicidade de vos conhecer.
– Infelicidade?
– Sois vós que me forçais a empregar essa expressão; só de vós dependeria que eu lançasse mão de uma bem diferente .
– E como haveríeis de conciliar isso com vossos gostos?
– O que não se abandona quando se ama!
– É verdade; mas ser-vos-ia impossível amar-me.
– Concordo com isso; se conservásseis hábitos tão detestáveis quanto esses que descobri em vós.
– E se eu renunciasse a eles?
– No mesmo instante, havia de imolar os meus nos altares do amor… Ah! criatura pérfida!, que essa confissão custe a minha glória, a qual acabas de arrancar-me – diz Augustine em lágrimas -, deixando-se cair sobre uma poltrona.
– Da mais bonita boca do universo obtive a confissão mais lisonjeira que me seria dado ouvir – diz Franville, lançando-se aos joelhos de Augustine – … Ah! caro objeto de meu mais terno amor! reconhecer meu ardil e condescender em não puni-lo de modo algum; é aos vossos pés que vos imploro graça; permanecerei aqui até obter meu perdão. Vedes próximo a
vós, senhorita, o amante mais constante e mais apaixonado; imaginei necessário esse estratagema para sobrepujar um coração cujos obstáculos eu conhecia. Obtive êxito, bela Augustine? Recusareis, ao amor sem máculas, o que haveis condescendido em dizer ao amante culpado… culpado, eu… culpado do que haveis acreditado… ah! podíeis supor que uma paixão impura pudesse existir na alma daquele que nunca ardeu de paixão senão por vós.
– Traidor, tu me enganastes… mas te perdôo… contudo, nada terás que me sacrificar, pérfido; e meu orgulho sentir-se-á até mesmo lisonjeado por isso; pois bem, não importa; quanto a mim, tudo te sacrifico… Está certo, renuncio com alegria para te satisfazer as torpezas a que a vaidade nos arrasta quase tão amiúde quanto nossos gostos. Sei que a natureza acaba por triunfar, eu sufocava por desvios que agora abomino de todo meu coração; não resistimos de modo nenhum a seu império; ela não nos criou senão para vós; não vos formou senão para nós; sigamos as leis dela, é pelo intermédio do próprio amor que ela hoje mos inspira; elas se tornarão para mim mais sagradas. Eis minha mão, senhor; eu vos tenho por homem de palavra, e feito para aspirar a mim. Se eu por um instante fiz por merecer perder vossa estima, por força de cuidados e ternura talvez venha a recuperar minhas faltas, e forçar-vos-ei a reconhecer que aquelas da imaginação nem sempre degradam uma alma boa.
Franville, no cúmulo de seus votos, inundando de lágrimas de sua alegria as belas mãos que as mantém coladas à sua boca, levanta-se e precipitando-se nos braços que se lhe abrem:
– Oh, dia mais feliz de minha vida – ele exclama existe algo de comparável a meu triunfo? Trago de volta ao seio das virtudes o coração em que vou reinar para sempre.
Franville beija mil vezes o divino objeto de seu amor e dele se separa; comunica, no dia seguinte, sua felicidade a todos os seus amigos; a srta. Villeblanche era muito bom partido para que seus pais lho recusassem; ele a desposa na mesma semana. A ternura, a confiança, a discrição mais estrita, a modéstia mais severa, coroaram seu casamento, e se tornando o mais feliz dos homens, foi bastante hábil para fazer da mais libertina das moças a mais sábia e a mais virtuosa das mulheres.

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O professor filósofo – mistérios do cristianismo – jovem espírito – Marques de Sade

De todas as ciências que se inculca na cabeça de uma criança quando se trabalha em sua educação, os mistérios do cristianismo, ainda que uma das mais sublimes matérias dessa educação, sem dúvida não são, entretanto, aquelas que se introjetam com mais facilidade no seu jovem espírito. Persuadir, por exemplo, um jovem de catorze ou quinze anos de que Deus pai e Deus filho são apenas um, de que o filho é consubstancial com respeito ao pai e que o pai o é com respeito ao filho, etc, tudo isso, por mais necessário à felicidade da vida, é, contudo, mais difícil de fazer entender do que a álgebra, e quando queremos obter êxito, somos obrigados a empregar certos procedimentos físicos, certas explicações concretas que, por mais que desproporcionais, facultam, todavia, a um jovem, compreensão do objeto misterioso.
Ninguém estava mais profundamente afeito a esse método do que o abade Du Parquet, preceptor do jovem conde de Nerceuil, de mais ou menos quinze anos e com o mais belo rosto que é possível ver.
– Senhor abade, – dizia diariamente o pequeno conde a seu professor – na verdade, a consubstanciação é algo que está além das minhas forças; é-me absolutamente impossível compreender que duas pessoas possam formar uma só: explicai-me esse mistério, rogo-vos, ou pelo menos colocai-o a meu alcance.
O honesto abade, orgulhoso de obter êxito em sua educação, contente de poder proporcionar ao aluno tudo o que poderia fazer dele, um dia, uma pessoa de bem, imaginou um meio bastante agradável de dirimir as dificuldades que embaraçavam o conde, e esse meio, tomado à natureza, devia necessariamente surtir efeito. Mandou que buscassem em sua casa uma jovem de treze a catorze anos, e, tendo instruído bem a mimosa, fez com que se unisse a seu jovem aluno.
– Pois bem, – disse-lhe o abade – agora, meu amigo, concebas o mistério da consubstanciação: compreendes com menos dificuldade que é possível que duas pessoas constituam uma só?
– Oh! meu Deus, sim, senhor abade, – diz o encantador energúmeno – agora compreendo tudo com uma facilidade surpreendente; não me admira esse mistério constituir, segundo se diz, toda a alegria das pessoas celestiais, pois é bem agradável quando se é dois a divertir-se em fazer um só.
Dias depois, o pequeno conde pediu ao professor que lhe desse outra aula, porque, conforme afirmava, algo havia ainda “no mistério” que ele não compreendia muito bem, e que só poderia ser explicado celebrando-o uma vez mais, assim como já o fizera. O complacente abade, a quem tal cena diverte tanto quanto a seu aluno, manda trazer de volta a jovem, e a lição recomeça, mas desta vez, o abade particularmente emocionado com a deliciosa visão que lhe apresentava o belo pequeno de Nerceuil consubstanciando-se com sua companheira, não pôde evitar colocar-se como o terceiro na explicação da parábola evangélica, e as belezas por que suas mãos haviam de deslizar para tanto acabaram inflamando-o totalmente.
– Parece-me que vai demasiado rápido, – diz Du Parquet, agarrando os quadris do pequeno conde muita elasticidade nos movimentos, de onde resulta que a conjunção, não sendo mais tão íntima, apresenta bem menos a imagem do mistério que se procura aqui demonstrar… Se fixássemos, sim… dessa maneira, diz o velhaco, devolvendo a seu aluno o que este empresta à jovem.
– Ah! Oh! meu Deus, o senhor me faz mal – diz o jovem – mas essa cerimônia parece-me inútil; o que ela me acrescenta com relação ao mistério?
– Por Deus! – diz o abade, balbuciando de prazer – não vês, caro amigo, que te ensino tudo ao mesmo tempo? É a trindade, meu filho… é a trindade que hoje te explico; mais cinco ou seis lições iguais a esta e serás doutor na Sorbornne.

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O marido padre – Conto provençal – Marques de Sade

Entre a cidade de Menerbe, no condado de Avinhão, e a de Apt, em Provença, há um pequeno convento de carmelitas isolado, denominado Saint-Hilaire, assentado no cimo de uma montanha onde até mesmo às cabras é difícil o pasto; esse pequeno sítio é aproximadamente como a cloaca de todas as comunidades vizinhas aos carmelitas; ali, cada uma delas relega o que a desonra, de onde não é difícil inferir quão puro deve ser o grupo de pessoas que freqüenta essa casa. Bêbados, devassos, sodomitas, jogadores; são esses, mais ou menos, os nobres integrantes desse grupo, reclusos que, nesse asilo escandaloso, o quanto podem ofertam a Deus almas que o mundo rejeita. Perto dali, um ou dois castelos e o burgo de Menerbe, o qual se acha apenas a uma légua de Saint-Hilaire – eis todo o mundo desses bons religiosos que, malgrado sua batina e condição, estão, entretanto, longe de encontrar abertas todas as portas de quantos estão à sua volta.
Havia muito o padre Gabriel, um dos santos desse eremitério, cobiçava certa mulher de Menerbe, cujo marido, um rematado corno, chamava-se Rodin. A mulher dele era uma moreninha, de vinte e oito anos, olhar leviano e nádegas roliças, a qual parecia constituir em todos os aspectos lauto banquete para um monge. No que tange ao sr. Rodin, este era homem bom, aumentando o seu patrimônio sem dizer nada a ninguém: havia sido negociante de panos, magistrado, e era, pois, o que se poderia chamar um burguês honesto; contudo, não muito seguro das virtudes de sua cara-metade, era ele sagaz o bastante para saber que o verdadeiro modo de se opor às enormes protuberâncias que ornam a cabeça de um marido é dar mostras de não desconfiar de os estar usando; estudara para tornar-se padre, falava latim como Cícero, e jogava bem amiúde o jogo de damas com o padre Gabriel que, cortejador astuto e amável, sabia que é preciso adular um pouco o marido de cuja mulher se deseja possuir. Era um verdadeiro modelo dos filhos de Elias, esse padre Gabriel: dir-se-ia que toda a raça humana podia tranqüilamente contar com ele para multiplicar-se; um legítimo fazedor de filhos, espadaúdo, cintura de uma alna* , rosto perverso e trigueiro, sobrancelhas como as de Júpiter, tendo seis pés de altura e aquilo que é a característica principal de um carmelita, feito, conforme se diz, segundo os moldes dos mais belos jumentos da província. A que mulher um libertino assim não haveria de agradar soberbamente? Desse modo, esse homem se prestava de maneira extraordinária aos propósitos da sra. Rodin, que estava muito longe de encontrar tão sublimes qualidades no bom senhor que os pais lhe haviam dado por esposo. Conforme já dissemos, o sr. Rodin parecia fazer vistas grossas a tudo, sem ser, por isso, menos ciumento, nada dizendo, mas ficando por ali, e fazendo isso nas diversas vezes em que o queriam bem longe. Entretanto, a ocasião era boa. A ingênua Rodin simplesmente havia dito a seu amante que apenas aguardava o momento para corresponder aos desejos que lhe pareciam fortes demais para que continuasse a opor-lhes resistência, e padre Gabriel, por seu turno, fizera com que a sra. Rodin percebesse que ele estava pronto a satisfazê-la… Além disso, num breve momento em que Rodin fora obrigado a sair , Gabriel mostrara à sua encantadora amante uma dessas coisas que fazem com que uma mulher se decida, por mais que hesite… só faltava, portanto, a ocasião.
Num dia em que Rodin saiu para almoçar com seu amigo de Saint-Hilaire, com a idéia de o convidar para uma caçada, e depois de ter esvaziado algumas garrafas de vinho de Lanerte, Gabriel imaginou encontrar na circunstância o instante propício à realização dos seus desejos.
* Antiga medida de comprimento de três palmos. (N. dos T.)
– Oh, por Deus, senhor magistrado, – diz o monge ao amigo – como estou contente de vos ver hoje! Não poderíeis ter vindo num momento mais oportuno do que este; ando às voltas com um caso da maior importância, no qual haveríeis de ser a mim de serventia sem par.
– Do que se trata, padre?
– Conheceis Renoult, de nossa cidade.
– Renoult, o chapeleiro.
– Precisamente.
– E então?
– Pois bem, esse patife me deve cem écus* , e acabo de saber que ele se acha às portas da falência; talvez agora, enquanto vos falo, ele já tenha abandonado o Condado… preciso muitíssimo correr até lá, mas não posso fazê-lo.
– O que vos impede?
– Minha missa, por Deus! A missa que devo celebrar; antes a missa fosse para o diabo, e os cem écus voltassem para o meu bolso.
– Não compreendo: não vos podem fazer um favor?
– Oh, na verdade sim, um favor! Somos três aqui; se não celebrarmos todos os dias três missas, o superior, que nunca as celebra, nos denunciaria à Roma; mas existe um meio de me ajudardes, meu caro; vede se podeis fazê-lo; só depende de vós.
– Por Deus! De bom grado! Do que se trata?
– Estou sozinho aqui com o sacristão; as duas primeiras missas foram celebradas, nossos monges já saíram, ninguém suspeitará do ardil; os fiéis serão poucos, alguns camponeses, e quando muito, talvez, essa senhorazinha tão devota que mora no castelo de… a meia légua daqui; criatura angélica que, à força da austeridade, julga poder reparar todas as estroinices do marido; creio que me dissestes que estudastes para ser padre.
– Certamente.
– Pois bem, deveis ter aprendido a rezar a missa.
– Faço-o como um arcebispo.
– Ó meu caro e bom amigo! – prossegue Gabriel lançando-se ao pescoço de Rodin – são dez horas agora; por Deus, vesti meu hábito, esperai soar a décima primeira hora; então celebrai a missa, suplico-vos; nosso irmão sacristão é um bom diabo, e nunca nos trairá; àqueles que julgarem não me reconhecer, dir-lhes-emos que é um novo monge, quanto aos outros, os deixaremos em erro; correrei ao encontro de Renoult, esse velhaco, darei cabo dele ou recuperarei meu dinheiro, estando de volta em duas horas. O senhor me aguardará, ordenará que grelhem os linguados, preparem os ovos e busquem o vinho; na volta, almoçaremos, e a caça… sim, meu amigo, a caça creio que há de ser boa dessa vez: segundo se disse, viu-se pelas redondezas um animal de chifres, por Deus! Quero que o agarremos, ainda que tenhamos de nos defender de vinte processos do senhor da região!
– Vosso plano é bom – diz Rodin – e, para vos fazer um favor, não há, decerto, nada que eu não faça; contudo, não haveria pecado nisso?
– Quanto a pecados, meu amigo, nada direi; haveria algum, talvez, em executar-se mal a coisa; porém, ao fazer isso sem que se esteja investido de poderes para tanto, tudo o que dissentes e nada são a mesma coisa. Acreditai em mim; sou casuísta, não há em tal conduta o que se possa chamar pecado venial.
– Mas seria preciso repetir a liturgia?
– E como não? Essas palavras são virtuosas apenas em nossa boca, mas também esta é virtuosa em nós… reparai, meu amigo, que se eu pronunciasse tais palavras deitado em cima de vossa mulher, ainda assim eu havia de metamorfosear em deus o templo onde sacrificais… Não, não, meu caro; só nós possuímos a virtude da transubstanciação; pronunciaríeis vinte mil vezes as palavras, e nunca faríeis descer algo dos céus; ademais, bem amiúde conosco a cerimônia fracassa por completo; e, aqui, é a fé que faz tudo; com um pouco de fé transportaríamos montanhas, vós sabeis, Jesus Cristo o disse, mas quem não tem fé nada faz…
* Antiga moeda francesa. (N. dos T.)
eu, por exemplo, se nas vezes em que realizo a cerimônia penso mais nas moças ou nas mulheres da assembléia do que no diabo dessa folha de pão que revolvo em meus dedos, acreditais que faço algo acontecer? Seria mais fácil eu crer no Alcorão que enfiar isso na minha cabeça. Vossa missa será, portanto, quase tão boa quanto a minha; assim, meu caro, agi sem escrúpulo, e, sobretudo, tende coragem.
– Pelos céus, – diz Rodin – é que tenho uma fome devoradora! Ainda faltam duas horas para o almoço!
– E o que vos impede de comer um pouco? Aqui tendes alguma coisa.
– E a tal missa que é preciso celebrar?
– Por Deus! O que há de mal nisso? Acreditais que Deus se há de macular mais caindo numa barriga cheia em vez de numa vazia? O diabo me carregue se não é a mesma coisa a comida estar em cima ou embaixo! Meu caro, se eu dissesse em Roma todas as vezes que almoço antes de celebrar minha missa, passaria minha vida na estrada. Além disso, não sois padre, nossas regras não vos podem constranger; ireis tão-somente dar certa imagem da missa, não ireis celebrá-Ia; conseqüentemente, podereis fazer tudo o que quiserdes antes ou depois, inclusive beijar vossa mulher, caso ela aqui estivesse; não se trata de agir como eu; não é celebrar, nem consumar o sacrifício.
– Prossigamos – diz Rodin – hei de fazê-lo, Podeis ficar tranqüilo.
– Bem – diz Gabriel, dando uma escapadela, depois de fazer boas recomendações do amigo ao sacristão… – contai comigo, meu caro; antes de duas horas estarei aqui – e, satisfeito, o monge vai embora.
Não é difícil imaginar que ele chega apressado à casa da mulher do magistrado; que ela se admira de vê-lo, julgando-o em companhia de seu marido; que ela lhe pergunta a razão de visita tão imprevista.
– Apressemo-nos, minha cara – diz o monge, esbaforido – apressemo-nos! Temos para nós apenas um instante… um copo de vinho, e mãos à obra!
– Mas, e quanto a meu marido?
– Ele celebra a missa.
– Celebra a missa?
– Pelo sangue de Cristo, sim, mimosa – responde o carmelita, atirando a sra. Rodin ao leito – sim, alma pura, fiz de seu marido um padre, e, enquanto o farsante celebra um mistério divino, apressemo-nos em levar a cabo um profano…
O monge era vigoroso; a uma mulher, era difícil opor-se-lhe quando ele a agarrava: suas razões, por sinal, eram tão convincentes… ele se põe a persuadir a sra. Rodin, e, não se cansando de fazê-lo a uma jovem lasciva de vinte e oito anos, com um temperamento típico da gente de Provença, repete algumas vezes suas demonstrações.
– Mas, meu anjo – diz, enfim, a beldade, perfeitamente persuadida – sabeis que se esgota o tempo… devemos nos separar: se nossos prazeres devem durar apenas o tempo de uma missa, talvez ele já esteja há muito no ite missa est.
– Não, não, minha querida – diz o carmelita, apresentando outro argumento à sra. Rodin -, deixai estar, meu coração, temos todo o tempo do mundo! Uma vez mais, minha cara amiga, uma vez mais! Esses noviços não vão tão rápido quanto nós… uma vez mais, vos peço! Apostaria que o corno ainda não ergueu a hóstia consagrada.
Todavia, mister foi que se despedissem, não sem promessas de se reverem; tracejaram novos ardis, e Gabriel foi encontrar-se com Rodin; este havia celebrado a missa tão bem quanto um bispo.
– Apenas o quod aures – diz ele – embaraçou-me um pouco; eu queria comer em vez de beber, mas o sacristão fez com que eu me recompusesse; e quanto aos cem écus, padre?
– Recuperei-os, meu filho; o patife quis resistir, peguei de um forcado, dei-lhe umas pauladas, juro-vos, na cabeça e noutras partes.
Entretanto, a diversão termina; nossos dois amigos vão à caça e, ao regressar, Rodin conta à sua mulher o favor que prestou a Gabriel.
– Celebrei a missa – dizia o grande tolo, rindo com todas as forças – sim, pelo corpo de Cristo! Eu celebrava a missa como um verdadeiro vigário, enquanto nosso amigo media as espáduas de Renoult com um forcado… Ele dava com a vara; que dizeis disso, minha vida? Colocava galhos na fronte; ah! boa e querida mãezinha! como essa história é engraçada, e como os cornos me fazem rir! E vós, minha amiga, o que fazíeis enquanto eu celebrava a missa?
– Ah! meu amigo – responde a mulher – parecia inspiração dos céus! Observai de que modo nos ocupavam de todo, a um e a outro, as coisas do céu, sem que disso suspeitássemos; enquanto celebráveis a missa, eu entoava essa bela oração que a Virgem dirige a Gabriel quando este fora anunciar-lhe que ela ficaria grávida pela intervenção do Espírito Santo. Assim seja, meu amigo! Seremos salvos, com toda certeza, enquanto ações tão boas nos ocuparem a ambos ao mesmo tempo.

Entre a cidade de Menerbe, no condado de Avinhão, e a de Apt, em Provença, há um pequeno convento de carmelitas isolado, denominado Saint-Hilaire, assentado no cimo de uma montanha onde até mesmo às cabras é difícil o pasto; esse pequeno sítio é aproximadamente como a cloaca de todas as comunidades vizinhas aos carmelitas; ali, cada uma delas relega o que a desonra, de onde não é difícil inferir quão puro deve ser o grupo de pessoas que freqüenta essa casa. Bêbados, devassos, sodomitas, jogadores; são esses, mais ou menos, os nobres integrantes desse grupo, reclusos que, nesse asilo escandaloso, o quanto podem ofertam a Deus almas que o mundo rejeita. Perto dali, um ou dois castelos e o burgo de Menerbe, o qual se acha apenas a uma légua de Saint-Hilaire – eis todo o mundo desses bons religiosos que, malgrado sua batina e condição, estão, entretanto, longe de encontrar abertas todas as portas de quantos estão à sua volta.

Havia muito o padre Gabriel, um dos santos desse eremitério, cobiçava certa mulher de Menerbe, cujo marido, um rematado corno, chamava-se Rodin. A mulher dele era uma moreninha, de vinte e oito anos, olhar leviano e nádegas roliças, a qual parecia constituir em todos os aspectos lauto banquete para um monge. No que tange ao sr. Rodin, este era homem bom, aumentando o seu patrimônio sem dizer nada a ninguém: havia sido negociante de panos, magistrado, e era, pois, o que se poderia chamar um burguês honesto; contudo, não muito seguro das virtudes de sua cara-metade, era ele sagaz o bastante para saber que o verdadeiro modo de se opor às enormes protuberâncias que ornam a cabeça de um marido é dar mostras de não desconfiar de os estar usando; estudara para tornar-se padre, falava latim como Cícero, e jogava bem amiúde o jogo de damas com o padre Gabriel que, cortejador astuto e amável, sabia que é preciso adular um pouco o marido de cuja mulher se deseja possuir. Era um verdadeiro modelo dos filhos de Elias, esse padre Gabriel: dir-se-ia que toda a raça humana podia tranqüilamente contar com ele para multiplicar-se; um legítimo fazedor de filhos, espadaúdo, cintura de uma alna* , rosto perverso e trigueiro, sobrancelhas como as de Júpiter, tendo seis pés de altura e aquilo que é a característica principal de um carmelita, feito, conforme se diz, segundo os moldes dos mais belos jumentos da província. A que mulher um libertino assim não haveria de agradar soberbamente? Desse modo, esse homem se prestava de maneira extraordinária aos propósitos da sra. Rodin, que estava muito longe de encontrar tão sublimes qualidades no bom senhor que os pais lhe haviam dado por esposo. Conforme já dissemos, o sr. Rodin parecia fazer vistas grossas a tudo, sem ser, por isso, menos ciumento, nada dizendo, mas ficando por ali, e fazendo isso nas diversas vezes em que o queriam bem longe. Entretanto, a ocasião era boa. A ingênua Rodin simplesmente havia dito a seu amante que apenas aguardava o momento para corresponder aos desejos que lhe pareciam fortes demais para que continuasse a opor-lhes resistência, e padre Gabriel, por seu turno, fizera com que a sra. Rodin percebesse que ele estava pronto a satisfazê-la… Além disso, num breve momento em que Rodin fora obrigado a sair , Gabriel mostrara à sua encantadora amante uma dessas coisas que fazem com que uma mulher se decida, por mais que hesite… só faltava, portanto, a ocasião.

Num dia em que Rodin saiu para almoçar com seu amigo de Saint-Hilaire, com a idéia de o convidar para uma caçada, e depois de ter esvaziado algumas garrafas de vinho de Lanerte, Gabriel imaginou encontrar na circunstância o instante propício à realização dos seus desejos.

* Antiga medida de comprimento de três palmos. (N. dos T.)

– Oh, por Deus, senhor magistrado, – diz o monge ao amigo – como estou contente de vos ver hoje! Não poderíeis ter vindo num momento mais oportuno do que este; ando às voltas com um caso da maior importância, no qual haveríeis de ser a mim de serventia sem par.

– Do que se trata, padre?

– Conheceis Renoult, de nossa cidade.

– Renoult, o chapeleiro.

– Precisamente.

– E então?

– Pois bem, esse patife me deve cem écus* , e acabo de saber que ele se acha às portas da falência; talvez agora, enquanto vos falo, ele já tenha abandonado o Condado… preciso muitíssimo correr até lá, mas não posso fazê-lo.

– O que vos impede?

– Minha missa, por Deus! A missa que devo celebrar; antes a missa fosse para o diabo, e os cem écus voltassem para o meu bolso.

– Não compreendo: não vos podem fazer um favor?

– Oh, na verdade sim, um favor! Somos três aqui; se não celebrarmos todos os dias três missas, o superior, que nunca as celebra, nos denunciaria à Roma; mas existe um meio de me ajudardes, meu caro; vede se podeis fazê-lo; só depende de vós.

– Por Deus! De bom grado! Do que se trata?

– Estou sozinho aqui com o sacristão; as duas primeiras missas foram celebradas, nossos monges já saíram, ninguém suspeitará do ardil; os fiéis serão poucos, alguns camponeses, e quando muito, talvez, essa senhorazinha tão devota que mora no castelo de… a meia légua daqui; criatura angélica que, à força da austeridade, julga poder reparar todas as estroinices do marido; creio que me dissestes que estudastes para ser padre.

– Certamente.

– Pois bem, deveis ter aprendido a rezar a missa.

– Faço-o como um arcebispo.

– Ó meu caro e bom amigo! – prossegue Gabriel lançando-se ao pescoço de Rodin – são dez horas agora; por Deus, vesti meu hábito, esperai soar a décima primeira hora; então celebrai a missa, suplico-vos; nosso irmão sacristão é um bom diabo, e nunca nos trairá; àqueles que julgarem não me reconhecer, dir-lhes-emos que é um novo monge, quanto aos outros, os deixaremos em erro; correrei ao encontro de Renoult, esse velhaco, darei cabo dele ou recuperarei meu dinheiro, estando de volta em duas horas. O senhor me aguardará, ordenará que grelhem os linguados, preparem os ovos e busquem o vinho; na volta, almoçaremos, e a caça… sim, meu amigo, a caça creio que há de ser boa dessa vez: segundo se disse, viu-se pelas redondezas um animal de chifres, por Deus! Quero que o agarremos, ainda que tenhamos de nos defender de vinte processos do senhor da região!

– Vosso plano é bom – diz Rodin – e, para vos fazer um favor, não há, decerto, nada que eu não faça; contudo, não haveria pecado nisso?

– Quanto a pecados, meu amigo, nada direi; haveria algum, talvez, em executar-se mal a coisa; porém, ao fazer isso sem que se esteja investido de poderes para tanto, tudo o que dissentes e nada são a mesma coisa. Acreditai em mim; sou casuísta, não há em tal conduta o que se possa chamar pecado venial.

– Mas seria preciso repetir a liturgia?

– E como não? Essas palavras são virtuosas apenas em nossa boca, mas também esta é virtuosa em nós… reparai, meu amigo, que se eu pronunciasse tais palavras deitado em cima de vossa mulher, ainda assim eu havia de metamorfosear em deus o templo onde sacrificais… Não, não, meu caro; só nós possuímos a virtude da transubstanciação; pronunciaríeis vinte mil vezes as palavras, e nunca faríeis descer algo dos céus; ademais, bem amiúde conosco a cerimônia fracassa por completo; e, aqui, é a fé que faz tudo; com um pouco de fé transportaríamos montanhas, vós sabeis, Jesus Cristo o disse, mas quem não tem fé nada faz…

* Antiga moeda francesa. (N. dos T.)

eu, por exemplo, se nas vezes em que realizo a cerimônia penso mais nas moças ou nas mulheres da assembléia do que no diabo dessa folha de pão que revolvo em meus dedos, acreditais que faço algo acontecer? Seria mais fácil eu crer no Alcorão que enfiar isso na minha cabeça. Vossa missa será, portanto, quase tão boa quanto a minha; assim, meu caro, agi sem escrúpulo, e, sobretudo, tende coragem.

– Pelos céus, – diz Rodin – é que tenho uma fome devoradora! Ainda faltam duas horas para o almoço!

– E o que vos impede de comer um pouco? Aqui tendes alguma coisa.

– E a tal missa que é preciso celebrar?

– Por Deus! O que há de mal nisso? Acreditais que Deus se há de macular mais caindo numa barriga cheia em vez de numa vazia? O diabo me carregue se não é a mesma coisa a comida estar em cima ou embaixo! Meu caro, se eu dissesse em Roma todas as vezes que almoço antes de celebrar minha missa, passaria minha vida na estrada. Além disso, não sois padre, nossas regras não vos podem constranger; ireis tão-somente dar certa imagem da missa, não ireis celebrá-Ia; conseqüentemente, podereis fazer tudo o que quiserdes antes ou depois, inclusive beijar vossa mulher, caso ela aqui estivesse; não se trata de agir como eu; não é celebrar, nem consumar o sacrifício.

– Prossigamos – diz Rodin – hei de fazê-lo, Podeis ficar tranqüilo.

– Bem – diz Gabriel, dando uma escapadela, depois de fazer boas recomendações do amigo ao sacristão… – contai comigo, meu caro; antes de duas horas estarei aqui – e, satisfeito, o monge vai embora.

Não é difícil imaginar que ele chega apressado à casa da mulher do magistrado; que ela se admira de vê-lo, julgando-o em companhia de seu marido; que ela lhe pergunta a razão de visita tão imprevista.

– Apressemo-nos, minha cara – diz o monge, esbaforido – apressemo-nos! Temos para nós apenas um instante… um copo de vinho, e mãos à obra!

– Mas, e quanto a meu marido?

– Ele celebra a missa.

– Celebra a missa?

– Pelo sangue de Cristo, sim, mimosa – responde o carmelita, atirando a sra. Rodin ao leito – sim, alma pura, fiz de seu marido um padre, e, enquanto o farsante celebra um mistério divino, apressemo-nos em levar a cabo um profano…

O monge era vigoroso; a uma mulher, era difícil opor-se-lhe quando ele a agarrava: suas razões, por sinal, eram tão convincentes… ele se põe a persuadir a sra. Rodin, e, não se cansando de fazê-lo a uma jovem lasciva de vinte e oito anos, com um temperamento típico da gente de Provença, repete algumas vezes suas demonstrações.

– Mas, meu anjo – diz, enfim, a beldade, perfeitamente persuadida – sabeis que se esgota o tempo… devemos nos separar: se nossos prazeres devem durar apenas o tempo de uma missa, talvez ele já esteja há muito no ite missa est.

– Não, não, minha querida – diz o carmelita, apresentando outro argumento à sra. Rodin -, deixai estar, meu coração, temos todo o tempo do mundo! Uma vez mais, minha cara amiga, uma vez mais! Esses noviços não vão tão rápido quanto nós… uma vez mais, vos peço! Apostaria que o corno ainda não ergueu a hóstia consagrada.

Todavia, mister foi que se despedissem, não sem promessas de se reverem; tracejaram novos ardis, e Gabriel foi encontrar-se com Rodin; este havia celebrado a missa tão bem quanto um bispo.

– Apenas o quod aures – diz ele – embaraçou-me um pouco; eu queria comer em vez de beber, mas o sacristão fez com que eu me recompusesse; e quanto aos cem écus, padre?

– Recuperei-os, meu filho; o patife quis resistir, peguei de um forcado, dei-lhe umas pauladas, juro-vos, na cabeça e noutras partes.

Entretanto, a diversão termina; nossos dois amigos vão à caça e, ao regressar, Rodin conta à sua mulher o favor que prestou a Gabriel.

– Celebrei a missa – dizia o grande tolo, rindo com todas as forças – sim, pelo corpo de Cristo! Eu celebrava a missa como um verdadeiro vigário, enquanto nosso amigo media as espáduas de Renoult com um forcado… Ele dava com a vara; que dizeis disso, minha vida? Colocava galhos na fronte; ah! boa e querida mãezinha! como essa história é engraçada, e como os cornos me fazem rir! E vós, minha amiga, o que fazíeis enquanto eu celebrava a missa?

– Ah! meu amigo – responde a mulher – parecia inspiração dos céus! Observai de que modo nos ocupavam de todo, a um e a outro, as coisas do céu, sem que disso suspeitássemos; enquanto celebráveis a missa, eu entoava essa bela oração que a Virgem dirige a Gabriel quando este fora anunciar-lhe que ela ficaria grávida pela intervenção do Espírito Santo. Assim seja, meu amigo! Seremos salvos, com toda certeza, enquanto ações tão boas nos ocuparem a ambos ao mesmo tempo.

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kama Sutra – Massagem sensual(Effleurage, Amassadura, Pétrissage, Entalhadura, Percussão e mãos em concha)

Arranhando
Embora reconhecendo que os amantes freqüentemente usam suas unhas para expressar
paixão na partida, no encontro, ou na reconciliação depois de uma briga, o Kama Sutra afirma
que o uso das unhas deveria se restringir àqueles que sentem prazer com isso.
Na Índia do Kama Sutra, como em outras culturas anteriores e posteriores, as marcas da
paixão nos seios ou na garganta de uma jovem seriam para dizer ao mundo que ela era
considerada sensual. Essas marcas provocam admiração. Vatsyayana explica que “quando
um estranho vê ao longe uma jovem com marcas de unhas nos seios, enche-se de amor e
respeito por ela”. O mesmo ocorre com um homem com marcas de unhas. Segundo o Kama
Sutra, as marcas também são feitas para os amantes se lembrarem um do outro quando
estão separados: “Se não houver marcas de unhas para lembrar a uma pessoa dos
momentos de amor, o amor será diminuído como quando o ato sexual não ocorre durante um
longo tempo. Contudo, as marcas de unhas não devem ser deixadas em mulheres casadas,
mas tipos específicos de marcas podem ser feitos em suas partes íntimas, para lembrança do
amor. Vatsyayana conclui que ”nada tende a aumentar tanto o amor quando os efeitos de
marcas de unhadas e mordidas”.
Arranhando
Embora o Kama Sutra não afirme que usar as unhas para marcar a pele um do outro seja do
gosto geral, está claro que o considera uma arma útil no arsenal do amante. Se o ato de
arranhar é baseado na paixão e não na raiva ou crueldade, os parceiros podem
ocasionalmente achá-lo divertido.
Pressão das unhas
Pressione o suficiente para deixar marcas, e não para lacerar a pele.
As Ritualizadas Pancadas do Amor
O Kama Sutra descreve inúmeros estilos de espancamentos rituais inócuos que podem ser
usados pelos parceiros para aumentar sua excitação antes e durante o ato sexual. Quatro
tipos de pancadas são descritos: com as costas das mãos, com os dedos levemente
contraídos, com os punhos e com as palmas das mãos. As pancadas são mais eficazes nos
ombros, na cabeça no espaço entre os seios, nas costas, no diafragma e nos lados. Os
amantes modernos bem que poderiam dar espontaneamente pancadas leves um no outro,
mas a violência é um tabu em nossa sociedade – as pessoas a temem, e têm bons motivos
para isso. E embora o Kama Sutra sugira que a mulher retribua as pancadas do homem,
muitas mulheres temem ser rejeitadas por esse comportamento. Quem aprecia a violência
ritualizada é estigmatizado em nossa sociedade, além de ser alvo de muitas piadas. Mas os
aficionados do espancamento lhe dirão que uma leve pancada com a palma da mão não dói
realmente, mas proporciona uma breve e excitante sensação de formigamento, e que se você
receber pancadas suficientes, seu corpo ficará muito excitado. Há uma dimensão emocional
também. Como o ato de bater, embora ritualmente é agressivo, muitas pessoas acham que o
ato agressivo artificial pode ser suficientemente provocador para despertar emoções e irritá-lo
a ponto de você revidar e dessa forma causar uma brincadeira de briga. Isso aumenta os
seus níveis de adrenalina, e quando eles aumentam, você se excita.
Usando o cabelo
O eterno fascínio que o cabelo de uma mulher exerce sobre o homem é reconhecido pelo
Kama Sutra, que declara que uma das artes que a mulher deveria aprender é “compor o
cabelo com ungüentos e perfumes e trança-lo”. O poder erótico do cabelo da mulher é
retribuído quando, ao admirá-lo e acariciá-lo, o parceiro experimenta sentimentos de desejo
por ela, que em seguida se incumbe de satisfazer. No tempo de Vatsyayana, o cabelo
comprido era apreciado em mulheres e homens. Agora, como naquela época, é um grande
trunfo no jogo do amor. Os pêlos púbicos também têm um papel importante nas preliminares
do ato sexual, e para os amantes, ver e sentir os pêlos púbicos um do outro anuncia os
prazeres do ato sexual. Mas o ato de acaricia-los não precisa ser limitado às preliminares,
porque depois do ato sexual pode expressar ternura tão eloqüentemente quanto mostrar o
desejo de fazer amor de novo.
Deveriam ser tocados suavemente – acariciados, em vez de puxados.
Um Leve Toque
Quando uma mulher cabelo comprido, ele pode cair distraidamente sobre o rosto e seios e
esfregar-se suavemente contra o corpo nu do parceiro. Se for longo o suficiente, a mulher
pode até mesmo envolver os ombros e peito do homem com ele. E se ela estiver por cima,
pode posicionar-se de modo a passá-lo provocantemente sobre todo o corpo do homem,
inclusive o seu pênis, aumentando assim o desejo dele por ela.
Toque controlado
Afaste o seu corpo, para que apenas o seu cabelo toque na pele dele.
Revelando o Pescoço
O cabelo limpo e lustroso de uma mulher pode ser um poderoso afrodisíaco, convidando o
amante a brincar com ele, e enterrar nele o rosto e as mãos. Sua textura e seu brilho são por
si só atraentes, mas quando ele é erguido e revela um pescoço macio e delicado, a alegria do
amante é ainda maior. Às vezes o homem escolhe esse caminho para revelar seu desejo
para a mulher, e as conotações animalescas desse tipo de aproximação por trás geralmente
trazem mais excitação para ambas às partes.
Prazer Táctil
O toque amoroso é uma das partes mais importantes de um relacionamento íntimo, e
correndo os dedos pelo cabelo de seu parceiro enquanto ele faz o mesmo com o seu, uma
mulher pode aumentar muito o prazer táctil para ambos.Os amantes podem levar isso um
pouco mais longe escovando os cabelos um do outro, ou massageando-os.
Massagem sensual
Kama Sutra não faz menção à massagem, embora seja usada há milhares de anos como um
meio de acabar com o cansaço e a tensão.
E, contudo, porque ligamos o toque ao sexo, tendemos evitar nos tocar temendo ser mal
interpretados. Esse hábito pode até mesmo se estender, impropriamente, a nossos parceiros,
de modo que nos concentramos na expressão puramente sexual, evitando qualquer toque
sensual sistemático. Ignorando o poder da massagem, muitos amantes perdem uma fonte de
grande prazer, assim como um meio de tornar o corpo muito mais receptivo e relaxado para o
ato sexual. O objetivo da massagem sensual, seja ou não para terminar em sexo, é o
relaxamento máximo, e por isso é importante criar um cenário confortável no qual aplicá-la.
Uma cama grande com um colchão firme, ou até mesmo um lençol no chão, podem ser
adequados. Coloque travesseiros ou almofadas debaixo do pescoço, das costas e dos
tornozelos do parceiro. Certifique-se de que o quarto está aquecido e suavemente iluminado,
com garantia de total privacidade.
Você pode usar os movimentos de massagem individualmente, combinar dois ou mais deles,
ou fazer uma seqüência completa, começando nos pés e chegando até a cabeça.
Costas e Coluna
Trabalhe para cima a partir das nádegas, usando uma pressão gentil e erótica. Mantenha as
mãos abertas e niveladas uma com a outra e com seus polegares avançando sempre a partir
da espinha. Trabalhe até a base da nuca e daí para os ombros, e depois desça lateralmente
até as nádegas. Repita essa massagem duas vezes ou mais, dependendo da vontade do
parceiro.
Ombros e Cabeça
Massageie a frente dos ombros, os lados do pescoço as bochechas e o maxilar, as têmporas
e a testa. Depois passe levemente os dedos sobre o queixo, os lábios, os olhos e o nariz.
Muitas pessoas também gostam que lhes seja massageado o alto da cabeça, em uma ação
parecida com a usada na lavagem dos cabelos.
Pés e Pernas
Comece massageando os dedos dos pés e as áreas entre eles. Em seguida, passe as
palmas das mãos firmemente nas solas e nos peitos dos pés.
Depois erga uma perna de cada vez e gire suavemente cada pé durante alguns minutos até
relaxá-lo. Finalmente trabalhe nos tornozelos, nas panturrilhas e na parte posterior das coxas.
Sente-se perto
Para evitar dor nas costas, sente-se perto do receptor para não ter de inclinar-se para frente.
Apoio
Massageie a perna com uma das mãos enquanto a segura firmemente com a outra.
Posição
É mais fácil massagear pés, tornozelos e panturrilhas se ela se deitar de bruços.
Nádegas
Pressione firmemente e mova as mãos num rígido movimento circular sobre as nádegas – a
maioria das pessoas gosta que esse local seja pressionado. Depois pressione leve e
crescentemente até suas mãos estarem simplesmente escovando a pele. Termine
amassando e pressionando uma nádega de cada vez.
Braços e Peito
Trabalhe para baixo a partir da frente dos ombros para o peito e o abdome, e massageie
levemente as mamas e os mamilos. Então massageie suavemente os braços, trabalhando
novamente para baixo.
Depois suba pelas coxas fazendo movimentos circulares com as mãos (a mão direita no
sentido horário, e a esquerda no anti-horário).
Massageie as coxas e virilhas, inclinando pressão suave na área pubiana e umbigo, onde ela
é muito agradável. Suba para os quadris e depois passe as pontas dos dedos sobre os seios
ou peitoral, massageando-os suavemente.
Movimento da mão
Quando massagear a partir das coxas, faça movimentos circulares com as mãos.
Alto das Costas
Na parte superior das costas, trabalhe primeiro nos músculos entre as omoplatas e a base do
pescoço, depois desça as mãos e massageie o parceiro dos lados com a ponta dos dedos.
Finalmente, pressione os ombros e, reduzindo a pressão, a nuca.
Usando o óleo de massagem
A aplicação de óleo de massagem a frio em geral chega como um choque para a pele do
receptor – todo óleo de massagem funciona melhor quando foi pré-aquecido ao ser esfregado
por alguns segundos entre as mãos. Unte cada área da pele do parceiro pouco antes de
massageá-lo, em vez de untá-lo de corpo inteiro primeiro: aplique uma pequena quantidade à
parte que pretende massagear, e esfregue-a com toques suaves, mas firmes. Após a
massagem, você pode deixar o óleo penetrar na pele do parceiro, removê-lo suavemente com
uma toalha ou, de maneira mais eficaz, com álcool, embora por ser frio o álcool possa
quebrar o encantamento.
Óleos de Massagem e Aditivos
Você pode aplicar massagem no parceiro com as mãos secas, mas seus movimentos serão
mais suaves e eficazes, especialmente se é inexperiente, se usar óleo de massagem ou
loção. Existe ampla variedade de óleos adequados, muitos derivados de nozes
(principalmente de coco) ou vegetais. Óleos naturais, como de amêndoa, oliveira, semente de
uva e girassol, podem ser usados como óleos base, perfumados com acréscimo de óleos
essenciais, entre os quais os mais adequados são Patchuli, sândalo, Ilangue-ilangue, jasmim
e rosa. Para produzir óleo suficiente para uma sessão de massagem, adicione 12 gotas do
óleo essencial escolhido a cerca de 30 ml do seu óleo-base.
Frascos de óleo de massagem
Massagem para Excitação Sexual
Você pode fazer amor melhor quando seu corpo foi relaxado com uma massagem, mas se
quiser usar a massagem para excitar, em vez de apenas relaxar, mude dos toques vigorosos
para uma ação bem mais suave. Por exemplo, traçar uma linha de um lado a outro através do
peito, das mamas e dos mamilos com a ponta dos dedos, pode ser mais excitante para
ambos do que os movimentos mais vigorosos da massagem convencional.
Muitas outras áreas do corpo reagem a um insistente toque “plúmeo”, incluindo o pescoço, o
interior dos braços e das coxas, o umbigo, as nádegas, as panturrilhas e os dedos dos pés.
Você não precisa se restringir ao uso das mãos; deite sobre o parceiro e esfregue o seu
corpo contra o dele, ou use seus pés e dedos dos pés para explorar lugares ocultos e
proporcionar a ambos sensações novas. Se existir a química certa entre um casal, quase
todas as áreas do corpo serão muito sensíveis ao toque erótico e poderão ser estimuladas
para dar prazer e aumentar a antecipação do ato sexual.
Os Toques Básicos de Massagem
Você pode aprender muito rapidamente os toques básicos de massagem, e todos os atos a
seguir são recomendados.
Effleurage
Deslize as palmas das mãos pela pele do parceiro, pondo o peso do seu corpo por trás do
movimento. Esse ato deveria ser usado no início e no final da massagem em cada área.
Amassadura
Curve as mãos gentilmente e amasse a carne com um movimento suave e regular.
Pétrissage
Mova em círculos os nós dos dedos e polegares ao longo da espinha para suavizar a tensão
muscular. Mas não massageie a espinha em si.
Entalhadura
Mantendo os dedos relaxados, dê uma série de golpes enérgicos com a quina da mão, como
Karatê, só que mais suavemente. Mantenha seus dedos relaxados, não rígidos.
Percussão e mãos em concha
A percussão envolve batidas leves e rítmicas, enquanto as mãos em concha envolvem
batidas no corpo alternando as mãos que estão em concha com os dedos juntos e os
polegares dobrados para dentro. Seja qual for a técnica de massagem escolhida, sempre faça
movimentos rítmicos, simétricos e completos.
Use óleo apropriado e consulte o parceiro a respeito da pressão a ser usada, porque a
massagem deveria ser sempre um prazer para ambos. Além disso, você deveria aprender a
esquecer-se temporariamente de suas próprias necessidades e concentrar-se no prazer do
parceiro. Dessa forma atingirá o objetivo desejado de conseguir dar e obter prazer
plenamente.

Vamos apresentar agora um mix de informações da kama sutra, que fora digitalizado por Eduardo Freitas

Kama Sutra

Massagem sensual

Kama Sutra não faz menção à massagem, embora seja usada há milhares de anos como um meio de acabar com o cansaço e a tensão. E, contudo, porque ligamos o toque ao sexo, tendemos evitar nos tocar temendo ser mal interpretados. Esse hábito pode até mesmo se estender, impropriamente, a nossos parceiros, de modo que nos concentramos na expressão puramente sexual, evitando qualquer toque sensual sistemático. Ignorando o poder da massagem, muitos amantes perdem uma fonte de grande prazer, assim como um meio de tornar o corpo muito mais receptivo e relaxado para o ato sexual. O objetivo da massagem sensual, seja ou não para terminar em sexo, é o relaxamento máximo, e por isso é importante criar um cenário confortável no qual aplicá-la. Uma cama grande com um colchão firme, ou até mesmo um lençol no chão, podem ser adequados. Coloque travesseiros ou almofadas debaixo do pescoço, das costas e dos tornozelos do parceiro. Certifique-se de que o quarto está aquecido e suavemente iluminado, com garantia de total privacide . Você pode usar os movimentos de massagem individualmente, combinar dois ou mais deles,ou fazer uma seqüência completa, começando nos pés e chegando até a cabeça.


Costas e Coluna

Trabalhe para cima a partir das nádegas, usando uma pressão gentil e erótica. Mantenha as mãos abertas e niveladas uma com a outra e com seus polegares avançando sempre a partir da espinha. Trabalhe até a base da nuca e daí para os ombros, e depois desça lateralmente até as nádegas. Repita essa massagem duas vezes ou mais, dependendo da vontade do parceiro.


Ombros e Cabeça

Massageie a frente dos ombros, os lados do pescoço as bochechas e o maxilar, as têmporas e a testa. Depois passe levemente os dedos sobre o queixo, os lábios, os olhos e o nariz. Muitas pessoas também gostam que lhes seja massageado o alto da cabeça, em uma ação parecida com a usada na lavagem dos cabelos.


Pés e Pernas

Comece massageando os dedos dos pés e as áreas entre eles. Em seguida, passe as palmas das mãos firmemente nas solas e nos peitos dos pés. Depois erga uma perna de cada vez e gire suavemente cada pé durante alguns minutos até relaxá-lo. Finalmente trabalhe nos tornozelos, nas panturrilhas e na parte posterior das coxas. Sente-se perto Para evitar dor nas costas, sente-se perto do receptor para não ter de inclinar-se para frente.

Apoio

Massageie a perna com uma das mãos enquanto a segura firmemente com a outra.


Posição

É mais fácil massagear pés, tornozelos e panturrilhas se ela se deitar de bruços.


Nádegas

Pressione firmemente e mova as mãos num rígido movimento circular sobre as nádegas – a maioria das pessoas gosta que esse local seja pressionado. Depois pressione leve e crescentemente até suas mãos estarem simplesmente escovando a pele. Termine amassando e pressionando uma nádega de cada vez.


Braços e Peito

Trabalhe para baixo a partir da frente dos ombros para o peito e o abdome, e massageie levemente as mamas e os mamilos. Então massageie suavemente os braços, trabalhando novamente para baixo. Depois suba pelas coxas fazendo movimentos circulares com as mãos (a mão direita no sentido horário, e a esquerda no anti-horário). Massageie as coxas e virilhas, inclinando pressão suave na área pubiana e umbigo, onde ela é muito agradável. Suba para os quadris e depois passe as pontas dos dedos sobre os seios ou peitoral, massageando-os suavemente. Movimento da mão Quando massagear a partir das coxas, faça movimentos circulares com as mãos.


Alto das Costas

Na parte superior das costas, trabalhe primeiro nos músculos entre as omoplatas e a base do pescoço, depois desça as mãos e massageie o parceiro dos lados com a ponta dos dedos. Finalmente, pressione os ombros e, reduzindo a pressão, a nuca.

Usando o óleo de massagem

A aplicação de óleo de massagem a frio em geral chega como um choque para a pele do receptor – todo óleo de massagem funciona melhor quando foi pré-aquecido ao ser esfregado por alguns segundos entre as mãos. Unte cada área da pele do parceiro pouco antes de massageá-lo, em vez de untá-lo de corpo inteiro primeiro: aplique uma pequena quantidade à parte que pretende massagear, e esfregue-a com toques suaves, mas firmes. Após a massagem, você pode deixar o óleo penetrar na pele do parceiro, removê-lo suavemente com uma toalha ou, de maneira mais eficaz, com álcool, embora por ser frio o álcool possa quebrar o encantamento.


Óleos de Massagem e Aditivos

Você pode aplicar massagem no parceiro com as mãos secas, mas seus movimentos serão mais suaves e eficazes, especialmente se é inexperiente, se usar óleo de massagem ou loção. Existe ampla variedade de óleos adequados, muitos derivados de nozes (principalmente de coco) ou vegetais. Óleos naturais, como de amêndoa, oliveira, semente de uva e girassol, podem ser usados como óleos base, perfumados com acréscimo de óleos essenciais, entre os quais os mais adequados são Patchuli, sândalo, Ilangue-ilangue, jasmim e rosa. Para produzir óleo suficiente para uma sessão de massagem, adicione 12 gotas do óleo essencial escolhido a cerca de 30 ml do seu óleo-base.


Massagem para Excitação Sexual

Você pode fazer amor melhor quando seu corpo foi relaxado com uma massagem, mas se quiser usar a massagem para excitar, em vez de apenas relaxar, mude dos toques vigorosos para uma ação bem mais suave. Por exemplo, traçar uma linha de um lado a outro através do peito, das mamas e dos mamilos com a ponta dos dedos, pode ser mais excitante para ambos do que os movimentos mais vigorosos da massagem convencional. Muitas outras áreas do corpo reagem a um insistente toque “plúmeo”, incluindo o pescoço, o interior dos braços e das coxas, o umbigo, as nádegas, as panturrilhas e os dedos dos pés. Você não precisa se restringir ao uso das mãos; deite sobre o parceiro e esfregue o seu corpo contra o dele, ou use seus pés e dedos dos pés para explorar lugares ocultos e proporcionar a ambos sensações novas. Se existir a química certa entre um casal, quase todas as áreas do corpo serão muito sensíveis ao toque erótico e poderão ser estimuladas para dar prazer e aumentar a antecipação do ato sexual.


Os Toques Básicos de Massagem

Você pode aprender muito rapidamente os toques básicos de massagem, e todos os atos a

seguir são recomendados.


Effleurage

Deslize as palmas das mãos pela pele do parceiro, pondo o peso do seu corpo por trás do

movimento. Esse ato deveria ser usado no início e no final da massagem em cada área.


Amassadura

Curve as mãos gentilmente e amasse a carne com um movimento suave e regular.


Pétrissage

Mova em círculos os nós dos dedos e polegares ao longo da espinha para suavizar a tensão muscular. Mas não massageie a espinha em si.


Entalhadura

Mantendo os dedos relaxados, dê uma série de golpes enérgicos com a quina da mão, como Karatê, só que mais suavemente. Mantenha seus dedos relaxados, não rígidos.


Percussão e mãos em concha

A percussão envolve batidas leves e rítmicas, enquanto as mãos em concha envolvem batidas no corpo alternando as mãos que estão em concha com os dedos juntos e os polegares dobrados para dentro. Seja qual for a técnica de massagem escolhida, sempre faça movimentos rítmicos, simétricos e completos. Use óleo apropriado e consulte o parceiro a respeito da pressão a ser usada, porque a massagem deveria ser sempre um prazer para ambos. Além disso, você deveria aprender a esquecer-se temporariamente de suas próprias necessidades e concentrar-se no prazer do parceiro. Dessa forma atingirá o objetivo desejado de conseguir dar e obter prazer plenamente.

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Como Lidar com Mulheres – Os testes na conquista

16. Os testes
A fêmea humana é essencialmente traidora: solicita incessantemente
que o macho se entregue mas, simultaneamente, considera aqueles que o
fazem débeis e desinteressantes, traindo-os com outros mais fortes, que não
as amam.
Esta essência traidora feminina se origina da necessidade de testar o
valor masculino. As solicitações de entrega, bem como as recriminações e
os jogos de ciúmes, visam testar a qualidade do reprodutor e protetor de sua
prole. Sua intenção é verificar o quanto o homem está seguro de si, de sua
força e de seu valor.
As mulheres costumam nos testar simulando estarem decepcionadas
conosco, tratando-nos como se fôssemos pirralhos, moleques culpados por
travessuras condenáveis, com o intuito de ativar em nossa mente lembranças
da infância e, deste modo, nos forçar a vê-las como mães severas. Também
é comum que ataquem nossos pontos de vista e concepções, muitas vezes
qualificando-os de infantis, visando abalar nosso moral para que duvidemos
do nosso valor. Por meio destes procedimentos irão nos comparar a outros
machos e concluirão que somos superiores aos que vacilaram e duvidaram
de si mesmos.
Atenções e gentilezas com outros machos são outra modalidade de
teste que empregam. Por este caminho, descobrem se nos sentimos
inferiores aos outros homens ou não. Se reagirmos com ciúmes, isto lhes
mostrará duas coisas: 1) que acreditamos que o outro pode fasciná-la mais
do que nós; 2) que temos medo de não encontrar outra fêmea melhor e,
portanto, somos incompetentes enquanto homens. Logo, é necessário não
termos ciúmes. Mas isso não será possível enquanto sentirmos amor. Por
este motivo, e somente por isto, devemos evitar totalmente o amor e o
apaixonamento. Tais sentimentos são debilitantes e tornam o homem
desinteressante, ainda que todas digam o contrário.
65 65
As mulheres amam os homens maus e fortes, sem amor e sem
sentimentos, porque são justamente estes que lhes transmitem a segurança
que precisam. Os bons são débeis e inseguros. Elas raciocinam, geralmente
inconscientemente: “Se eu conseguir atrair a afeição deste demônio, estarei
protegida”. É por isto que os mafiosos e poderosos possuem tantas
mulheres. O sexo feminino é atraído pelo poder e pela maldade como a
mariposa é atraída à luz. É claro que estes caras não as tratam mal; são
absolutamente fingidos e carinhosos. Prometem-lhes o céu sem nunca lhes
dar e excitam-lhes a imaginação.
Se você acha que basta ser bonzinho para ser amado, mude de idéia.
Caso contrário, o inferno em vida irá te esperar.
As torturas psicológicas visam testar e selecionar o melhor reprodutor
e protetor da prole, mesmo no caso daquelas que insistem em dizer que não
querem casar. O mais destemido, cruel e insensível é o eleito.
Quanto mais você a pressionar para te amar, dar sexo e ficar ao seu
lado, mais repulsivo será. É que a dinâmica da mulher é regida pelo
seguinte princípio: seus amores são dirigidos apenas àqueles que delas não
necessitam, de preferência em nenhum sentido. Quanto mais você correr
atrás, pior será.
Quando a fêmea descobre um macho (hetero de verdade e não gay,
logicamente) que dela não necessita, seu inconsciente trabalha a idéia de
que este é muito bom, muito valoroso e forte, que deve ter muitas mulheres
lindas disponíveis etc. Então o desejará mas a coisa não termina por aí. O
cara será testado.
Somente os durões e insensíveis é que passam nestes testes infernais.
A chave para tanto é não sentir nada, não amar, não estar apaixonado.
Então, os testes nos parecerão absolutamente ridículos e não nos afetarão. A
mulher irá embora, esperará alguns dias e voltará em seguida. Ficará sem te
66 66
telefonar por muito tempo e por fim cederá. Recusará o sexo até o limite
extremo para em seguida lançar-se nua sobre você, devorando-o. Se
oferecerá insistentemente, não por ternura, como você gostaria, mas sim
porque se sentirá excitada sem entender o motivo. E você nunca deve dizêlo,
obviamente.
Quanto mais estreita for a relação do casal, mais terríveis serão os
infernos mentais e mais promissoras serão as oportunidades de treinamento
interno. Se você vencer a diaba com quem vive, será mais fácil vencer as
outras.
Devido ao ódio inconsciente, mas real e intenso, contra os machos, as
fêmeas sempre irão atormentá-los sem piedade a menos que sejam
dominadas severamente. Suas estratégias de tormento são psicológicas e
difíceis de detectar mas se baseiam sempre no mesmo elemento: a
submissão pela paixão oriunda da necessidade de carinho. Resista ao
encanto da fragilidade e será imbatível.
Não se deixe atingir por choros, gritos, recriminações e reprovações
contra suas atitudes: tais manifestações visam fazê-lo duvidar do valor e da
legitimidade de seus pontos de vista com o intuito de testar a categoria de
macho que você é.
Não somente nossa força emocional mas também nossa inteligência é
testada por meio de argumentos falaciosos e ingênuos que servem para
acobertar atitudes excusas e joguinhos.Go

Gosto muito das sacadas deste autor, por isso aqui vai mais um capítulo do livro:

Como Lidar com Mulheres – Apontamentos sobre o perfil comportamental feminino nas relações com o homem

Escrito por: Nessahan Alita

Capítulo: 16. Os testes

A fêmea humana é essencialmente traidora: solicita incessantemente que o macho se entregue mas, simultaneamente, considera aqueles que o fazem débeis e desinteressantes, traindo-os com outros mais fortes, que não as amam.

Esta essência traidora feminina se origina da necessidade de testar o valor masculino. As solicitações de entrega, bem como as recriminações e os jogos de ciúmes, visam testar a qualidade do reprodutor e protetor de sua prole. Sua intenção é verificar o quanto o homem está seguro de si, de sua força e de seu valor.

As mulheres costumam nos testar simulando estarem decepcionadas conosco, tratando-nos como se fôssemos pirralhos, moleques culpados por travessuras condenáveis, com o intuito de ativar em nossa mente lembranças da infância e, deste modo, nos forçar a vê-las como mães severas. Também é comum que ataquem nossos pontos de vista e concepções, muitas vezes qualificando-os de infantis, visando abalar nosso moral para que duvidemos do nosso valor. Por meio destes procedimentos irão nos comparar a outros machos e concluirão que somos superiores aos que vacilaram e duvidaram de si mesmos.

Atenções e gentilezas com outros machos são outra modalidade de teste que empregam. Por este caminho, descobrem se nos sentimos inferiores aos outros homens ou não. Se reagirmos com ciúmes, isto lhes mostrará duas coisas: 1) que acreditamos que o outro pode fasciná-la mais do que nós; 2) que temos medo de não encontrar outra fêmea melhor e, portanto, somos incompetentes enquanto homens. Logo, é necessário não termos ciúmes. Mas isso não será possível enquanto sentirmos amor. Por este motivo, e somente por isto, devemos evitar totalmente o amor e o apaixonamento. Tais sentimentos são debilitantes e tornam o homem desinteressante, ainda que todas digam o contrário.

As mulheres amam os homens maus e fortes, sem amor e sem sentimentos, porque são justamente estes que lhes transmitem a segurança que precisam. Os bons são débeis e inseguros. Elas raciocinam, geralmente inconscientemente: “Se eu conseguir atrair a afeição deste demônio, estarei protegida”. É por isto que os mafiosos e poderosos possuem tantas mulheres. O sexo feminino é atraído pelo poder e pela maldade como a mariposa é atraída à luz. É claro que estes caras não as tratam mal; são absolutamente fingidos e carinhosos. Prometem-lhes o céu sem nunca lhes dar e excitam-lhes a imaginação.

Se você acha que basta ser bonzinho para ser amado, mude de idéia. Caso contrário, o inferno em vida irá te esperar. As torturas psicológicas visam testar e selecionar o melhor reprodutor e protetor da prole, mesmo no caso daquelas que insistem em dizer que não querem casar. O mais destemido, cruel e insensível é o eleito. Quanto mais você a pressionar para te amar, dar sexo e ficar ao seu lado, mais repulsivo será. É que a dinâmica da mulher é regida pelo seguinte princípio: seus amores são dirigidos apenas àqueles que delas não necessitam, de preferência em nenhum sentido. Quanto mais você correr atrás, pior será.

Quando a fêmea descobre um macho (hetero de verdade e não gay, logicamente) que dela não necessita, seu inconsciente trabalha a idéia de que este é muito bom, muito valoroso e forte, que deve ter muitas mulheres lindas disponíveis etc. Então o desejará mas a coisa não termina por aí. O cara será testado.

Somente os durões e insensíveis é que passam nestes testes infernais.A chave para tanto é não sentir nada, não amar, não estar apaixonado. Então, os testes nos parecerão absolutamente ridículos e não nos afetarão. A mulher irá embora, esperará alguns dias e voltará em seguida. Ficará sem te telefonar por muito tempo e por fim cederá. Recusará o sexo até o limite extremo para em seguida lançar-se nua sobre você, devorando-o. Se oferecerá insistentemente, não por ternura, como você gostaria, mas sim porque se sentirá excitada sem entender o motivo. E você nunca deve dizêlo, obviamente.

Quanto mais estreita for a relação do casal, mais terríveis serão os infernos mentais e mais promissoras serão as oportunidades de treinamento interno. Se você vencer a diaba com quem vive, será mais fácil vencer as outras.

Devido ao ódio inconsciente, mas real e intenso, contra os machos, as fêmeas sempre irão atormentá-los sem piedade a menos que sejam dominadas severamente. Suas estratégias de tormento são psicológicas e difíceis de detectar mas se baseiam sempre no mesmo elemento: a submissão pela paixão oriunda da necessidade de carinho. Resista ao encanto da fragilidade e será imbatível.

Não se deixe atingir por choros, gritos, recriminações e reprovações contra suas atitudes: tais manifestações visam fazê-lo duvidar do valor e da legitimidade de seus pontos de vista com o intuito de testar a categoria de macho que você é.

Não somente nossa força emocional mas também nossa inteligência é testada por meio de argumentos falaciosos e ingênuos que servem para acobertar atitudes excusas e joguinhos.

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